Secretário de Justiça dos EUA se defende de reação a protestos e nega proteger associados de Trump




Em audiência perante Comitê Judiciário da Câmara, William Barr disse que sente ‘liberdade completa’ no cargo e que Departamento de Justiça não faz favores ao presidente e não colabora para sua reeleição. Deputado Steve Cohen apresentou resolução para investigar Barr e averiguar se ele deve ser afastado. O secretário de Justiça dos EUA, William Barr, testemunha perante Comitê Judiciário da Cãmara, em Washington, na terça-feira (28)

O secretário de Justiça dos Estados Unidos, William Barr, se defendeu nesta terça-feira (28) diante de um comitê da Câmara dos Deputados de maioria democrata, negando as acusações de que abusou de seu poder para ajudar associados do presidente Donald Trump e reforçar as chances de reeleição de seu chefe.


Jerrold Nadler, presidente do Comitê Judiciário da Câmara, iniciou a audiência com comentários ácidos, dizendo a Barr: “Seu período é marcado por uma guerra persistente contra o cerne profissional do Departamento (de Justiça) em um esforço aparente de obter favores para o presidente.”


Barr reagiu, dizendo: “Sinto liberdade completa para fazer o que acho certo.”


A audiência marca o primeiro depoimento de Barr ao Comitê Judiciário da Câmara desde que assumiu o cargo, em fevereiro de 2019, e ocorre em um momento no qual seu departamento é criticado por enviar agentes federais para dispersar manifestantes à força em Portland e na capital Washington.


Barr rejeitou a afirmação de Nadler de que a mobilização de agentes federais é uma tentativa de fortalecer a campanha de reeleição de Trump. Ele também negou ter agido para ajudar associados de Trump, dizendo que eles não merecem tratamento especial, mas que tampouco deveriam ser tratados com mais dureza do que outros acusados.


Na semana passada, o órgão interno de supervisão do próprio departamento iniciou investigações sobre o envolvimento federal nos protestos de Portland e de Washington.


Protestos generalizados e majoritariamente pacíficos contra o preconceito racial e a brutalidade policial vêm ocorrendo no país desde a morte do negro George Floyd sob custódia da polícia de Minnesota no dia 25 de maio.


Barr ressaltou os incêndios criminosos e os episódios de violência vistos durante alguns protestos, atribuindo-os principalmente a elementos da tendência chamada de “antifa” de extrema-esquerda e exortando procuradores federais a apresentarem acusações criminais sempre que possível.


O secretário defendeu o uso de forças federais para conter os protestos em Portland, onde alguns manifestantes lançaram objetos contra o tribunal federal.


Questionado pela deputada democrata negra Sheila Jackson Lee, Barr também minimizou as acusações de discriminação racial abrangente no policiamento do país.


No mês passado, o Comitê Judiciário da Câmara iniciou um inquérito amplo para determinar se o Departamento de Justiça se tornou excessivamente politizado.


O deputado democrata Steve Cohen disse na audiência que apresentou uma resolução para investigar Barr e averiguar se ele deve ser afastado.