Protesto de estudantes termina com 11 presos em Belarus

Pelo menos 11 pessoas foram detidas nesta terça-feira (1º) durante um protesto estudantil no centro de Minsk, informou a ONG de direitos humanos Vesná, que detalhou que os presos são oito alunos, um professor e dois jornalistas.

“Entre os alunos há detentos. Mas ninguém os sequestra, como escreveram na internet. Essas pessoas foram detidas por policiais, que antes de efetuarem a prisão se apresentam e explicam as razões para isso”, disse a porta-voz da polícia de Minsk, Natalia Ganiusevich.

Centenas de estudantes de várias universidades se reuniram no Parque Gorky, em Minsk, e seguiram até a Praça da Independência. “Juntos até o fim!” e “Viva Belarus” foram alguns dos gritos dos manifestantes, muitos carregando a antiga bandeira nacional, em vermelho e branco. Algumas faixas diziam “Liberdade para prisioneiros de consciência” em bielorrusso e em inglês.

“Sempre venho às manifestações. Estamos mudando a história. Os alunos costumam ser o motor das revoluções. Será que somos piores?”, questionou Vitali, estudante de Informática de 19 anos, à Agência Efe.

Para ele, os estudantes não devem ter medo e se mobilizar para derrubar o presidente de Belarus, Alexandr Lukashenko, no poder há 26 anos.

“Temos que sair às ruas para protestar. Somos jovens e não temos que ter medo”, apoiou Svetlana, de 18 anos, que admite brigar com os pais pela participação nos protestos, embora eles não apoiem Lukashenko, mas temem que algo aconteça com ela.

Com alto-falantes, policiais pediram aos manifestantes, sem sucesso, que se dispersassem, pois estavam cometendo um crime administrativo. Isso porque, segundo eles, o protesto não foi autorizado. Os estudantes responderam com gritos de “Vergonha!”.

A marcha coincide com o início do ano letivo no país e faz parte da campanha de protestos que eclodiu após as eleições presidenciais de 9 de agosto, em que, segundo dados oficiais, Alexandr Lukashenko foi reeleito com 80,1% dos votos.

As eleições foram declaradas fraudulentas pela oposição, cuja candidata, Svetlana Tijanovskya, foi forçada ao exílio na Lituânia, e os resultados não foram reconhecidos por grande parte da comunidade internacional.

Além da repetição das eleições presidenciais, os adversários exigem a liberdade de todos os presos políticos e punição aos responsáveis pela repressão policial que deixou centenas de feridos nos primeiros três dias das eleições e levou à detenção de 7 mil pessoas.

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