Premissa de reforma é não mexer com estabilidade e salários de atuais servidores, diz secretário

“Estamos simplesmente fazendo o que um governo democrático e capitalista faz, que é respeitar os contratos. Isso é fundamental para que a economia se equilibre. O Estado está propondo a manutenção dos contratos que já existem com os servidores e colocando uma linha de corte agora. A proposta já sinaliza aos agentes econômicos que estamos fazendo o dever de casa e propondo um novo arcabouço para a administração pública. Com isso, também sinalizamos que conseguiremos fazer investimentos no futuro, junto com setor privado”, argumentou.

O secretário disse que o setor público precisa competir por “talentos” com o setor privado e considerou que os termos da reforma mantém essa atratividade aos trabalhadores. Andrade disse ainda que a proposta de reforma mantém o que haveria de bom no sistema atual, como a realização de concursos públicos e a transparência no serviço público. “Com a digitalização dos serviços, teremos ainda mais transparência sobre como são investidos os impostos”, avaliou.

As despesas com pessoal do governo federal cresceram 145% nos últimos 12 anos, segundo o secretário especial adjunto de Desburocratização, Gestão e Governo Digital do Ministério da Economia, Gleisson Rubin . Ele lembrou que 2020 é o sétimo ano consecutivo de rombos nas contas públicos.

“E temos a perspectiva de que continuaremos fechando as contas no vermelho mais seis anos, com reequilíbrio apenas em 2026 ou 2027”, reforçou. “E nesse contexto temos uma situação de despesas de pessoal que apenas crescem. Não tivemos nos últimos 30 anos nenhuma situação de decréscimo nessas despesas. E em alguns Estados, a situação é igual ou pior do que no governo federal”, completou.

De acordo com o secretário, a reforma administrativa tem o objetivo de tentar reduzir o engessamento do Orçamento federal, que faz com que o governo tenha condições de decidir sobre uma parcela cada vez menor das despesas. Ele apontou que as despesas obrigatórias (com o pagamento de aposentadoria, pensões e salários, por exemplo) responderão por 93,7% do orçamento de 2021.

“A participação das despesas com Previdência e com pessoal vem crescendo a cada ano. O Orçamento tem uma parcela de apenas 6,3% de despesas discricionárias (que não são obrigatórias e podem ser remanejadas) para encaixar todos os investimentos, as políticas públicas e os gastos sociais. A cada ano as demandas se tornam cada vez mais inexequíveis”, explicou.

“Temos um superproblema quando os recursos do Estado não são suficientes nem para pagar a própria folha de salários. Estamos chegando perto dessa situação em alguns Estados”, alertou Andrade. “Queremos acreditar que esse arcabouço que enviamos hoje ao Congresso possa ajudar os governos estaduais e as prefeituras a se ajustarem”, avaliou.

Para ele, o novo regime proposto para o funcionalismo público será mais atrativo aos trabalhadores jovens. “O serviço público não tem apelo aos jovens. Os jovens hoje têm outras perspectivas e querem estar inseridos em um mundo que se move, que é maleável, e não totalmente engessado como a nossa estrutura”.

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Eduardo Rodrigues, Idiana Tomazelli  e Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo

03 de setembro de 2020 | 10h34
Atualizado 03 de setembro de 2020 | 13h32

BRASÍLIA – O secretário especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digital do Ministério da Economia, Caio Mário Paes de Andrade, disse nesta quinta-feira, 3, que a reforma administrativa, que mexe com as regras de contratação, promoção e desligamento do funcionalismo público federal, foi feita por servidores para servidores.

“Essa transformação que estamos propondo hoje é para essas pessoas que também não aceitam que o Estado brasileiro seja capturado. Aqui tem gente que poderia trabalhar em qualquer organização pública ou privada do mundo. Mas assim como no setor privado, tem gente que não gosta de trabalhar”, afirmou ao apresentar a proposta a jornalistas.

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O secretário admitiu que a reforma é tecnicamente complexa e politicamente sensível. “Estamos aqui para vencer o atraso. A última vez que foi proposta uma reforma de gestão foi em 1998. De lá para cá o Estado brasileiro só cresceu e os mecanismo de gestão só deterioraram. Praticamente não temos mecanismos de punição e recompensa, que deixam o gestor público refém de regras que não fez o menor sentido nos dias de hoje”, avaliou.

O governo federal encaminhou ao Congresso Nacional o texto da proposta de emenda à Constituição (PEC) da reforma administrativa. A mensagem confirmando o envio está publicada no Diário Oficial da União desta quinta-feira, 3.

A reforma administrativa ainda precisa ser analisada e aprovada pela Câmara e pelo Senado para virar lei. Por se tratar de uma proposta de emenda à Constituição (PEC), precisa ser aprovada por 3/5 de cada Casa em dois turnos de votação (308 de 513 deputados e 49 de 81 senadores).

O texto enviado pelo governo modifica somente as regras para os futuros servidores do poder Executivo federal. Não afeta os atuais servidores nem os profissionais do Legislativo e Judiciário. Os outros poderes terão que elaborar textos próprios se quiserem alterar suas regras.

Por meio de nota divulgada pela Secretaria Geral da Presidência, o governo confirma que a medida apresenta novas possibilidades de vínculos com a administração pública, “sem alterar de forma relevante o regime dos atuais servidores”.

Para os futuros servidores e empregados públicos, será exigido dois anos em vínculo de experiência com desempenho satisfatório antes de estar investido em cargo público permanente e iniciar o estágio probatório de um ano para os cargos típicos de Estado. Haverá ainda, segundo esclarece a nota, mais limitações ao exercício de outras atividades para ocupantes de cargos típicos de Estado e menos limitações para os servidores em geral.

A PEC propõe o fim do chamado “regime jurídico único” e institui as seguintes modalidades: vínculo de experiência, vínculo por prazo determinado, cargo com vínculo por prazo indeterminado, cargo típico de Estado e cargo de liderança e assessoramento (corresponde aos cargos de confiança). Segundo a nota, os critérios para definir os cargos típicos de Estado serão estabelecidos em lei complementar federal.

A proposta enviada pelo governo traz algumas restrições, como: veda mais de 30 dias de férias por ano; veda redução de jornada sem redução da remuneração; proíbe promoções ou progressões exclusivamente por tempo de serviço. A PEC acaba também com parcelas indenizatórias sem que estejam caracterizadas de despesas diretamente decorrente do desempenho da atividade. Estão ainda vedadas a incorporação de cargos em comissão ou funções de confiança à remuneração permanente, a aposentadoria compulsória como modalidade de punição, e a redução de remuneração por motivo de redução de jornada para os cargos típicos de Estado.

Veja os principais pontos

  • Fim do regime jurídico único da União e criação de vínculo de experiência, vínculo por prazo determinado, cargo com vínculo por prazo indeterminado, cargo típico de Estado e cargo de liderança e assessoramento (cargo de confiança);
  • Exigência de dois anos em vínculo de experiência com “desempenho satisfatório” antes de o profissional ser investido de fato no cargo público e começar o estágio probatório de um ano para as carreiras típicas de Estado (que só existem na administração pública, como auditor da Receita Federal e diplomata);
  • Exigência de classificação final dentro do quantitativo previsto no edital do concurso público, entre os mais bem avaliados ao final do período do vínculo de experiência;
  • Mais limitações ao exercício de outras atividades para ocupantes de cargos típicos de Estado e menos limitações para os servidores em geral;
  • Proibição de mais de trinta dias de férias por ano;
  • Proibição de redução de jornada sem redução da remuneração;
  • Vedação de promoções ou progressões exclusivamente por tempo de serviço;
  • Banimento de parcelas indenizatórias sem a caracterização de despesas diretamente decorrente do desempenho da atividade;
  • Vedação da incorporação de cargos em comissão ou funções de confiança à remuneração permanente;
  • Vedação da aposentadoria compulsória como modalidade de punição.

Histórico

Discutida desde a campanha eleitoral, a reforma administrativa é elaborada desde o ano passado pelo governo.

Em fevereiro desde ano, Bolsonaro chegou a ensaiar o envio do projeto ao Congresso, porém desistiu e deixou a proposta para o ano que vem. Agora, o presidente mudou de ideia.

Em agosto, o vice-presidente, Hamilton Mourão, disse que a proposta de reforma administrativa do governo já estava pronta, mas que o envio dela ao Congresso dependia de uma “decisão política” de Bolsonaro.

A demora no envio do projeto motivou o pedido de demissão de Paulo Uebel, que era secretário de Desburocratização, Gestão e Governo Digital. Uebel trabalhou no projeto da reforma administrativa, mas deixou diante do impasse sobre o futuro da proposta.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, que participou da reunião no Planalto e estava junto com o presidente no anúncio, afirmou que o envio da proposta pelo governo sinaliza “a retomada das reformas”, e que o projeto “redefine a trajetória do serviço público”.

“A reforma administrativa é importante. Como o presidente deixou claro desde o início, não atinge os direitos dos servidores públicos atuais, mas redefine toda a trajetória do serviço público para o futuro. Serviço público de qualidade, com meritocracia, com concursos exigentes, promoção por mérito”, disse Guedes.

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Idiana Tomazelli, Eduardo Rodrigues e Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo

03 de setembro de 2020 | 11h04
Atualizado 03 de setembro de 2020 | 13h31

BRASÍLIA – A reforma administrativa proposta pelo governo prevê que o presidente da República altere a estrutura do Poder Executivo e até declare extintos alguns órgãos e ministérios sem a necessidade de aval prévio do Congresso Nacional. A proposta foi antecipada pelo Estadão/Broadcast em outubro do ano passado.

Hoje, o presidente depende do aval do Legislativo para fazer esse tipo de mudança. Se a medida for aprovada, ele poderá unilateralmente mexer em ministérios, fundações e autarquias do Executivo sem necessidade de consultar os parlamentares, desde que não haja aumento de despesa.

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Segundo o Ministério da Economia, “há pouca autonomia na reorganização de cargos e órgãos” e “o processo é complexo e moroso” em caso de necessidades urgentes. O objetivo, segundo a pasta, é dar maior agilidade na adequação de estruturas e cargos.

Idiana Tomazelli, Eduardo Rodrigues e Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo

03 de setembro de 2020 | 11h05
Atualizado 03 de setembro de 2020 | 16h11

BRASÍLIA – A proposta de reforma administrativa do governo vai criar cinco novos tipos de vínculos para servidores públicos, apenas um deles com garantia de estabilidade no cargo após três anos. O texto mantém a previsão de realização de concursos públicos, mas também vai permitir ingresso por seleção simplificada para alguns vínculos.

Eduardo Rodrigues, Idiana Tomazelli e Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo

03 de setembro de 2020 | 10h58

BRASÍLIA – O secretário especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digital do Ministério da Economia, Caio Mário Paes de Andrade, afirmou nesta quinta-feira, 3, que uma das premissas da proposta de reforma administrativa é não alterar nem a estabilidade, nem os salários dos servidores atuais.

“Estamos simplesmente fazendo o que um governo democrático e capitalista faz, que é respeitar os contratos. Isso é fundamental para que a economia se equilibre. O Estado está propondo a manutenção dos contratos que já existem com os servidores e colocando uma linha de corte agora. A proposta já sinaliza aos agentes econômicos que estamos fazendo o dever de casa e propondo um novo arcabouço para a administração pública. Com isso, também sinalizamos que conseguiremos fazer investimentos no futuro, junto com setor privado”, argumentou.

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As despesas com pessoal do governo federal cresceram 145% nos últimos 12 anos, segundo o secretário especial adjunto de Desburocratização, Gestão e Governo Digital do Ministério da Economia, Gleisson Rubin . Ele lembrou que 2020 é o sétimo ano consecutivo de rombos nas contas públicos.

“E temos a perspectiva de que continuaremos fechando as contas no vermelho mais seis anos, com reequilíbrio apenas em 2026 ou 2027”, reforçou. “E nesse contexto temos uma situação de despesas de pessoal que apenas crescem. Não tivemos nos últimos 30 anos nenhuma situação de decréscimo nessas despesas. E em alguns Estados, a situação é igual ou pior do que no governo federal”, completou.

De acordo com o secretário, a reforma administrativa tem o objetivo de tentar reduzir o engessamento do Orçamento federal, que faz com que o governo tenha condições de decidir sobre uma parcela cada vez menor das despesas. Ele apontou que as despesas obrigatórias (com o pagamento de aposentadoria, pensões e salários, por exemplo) responderão por 93,7% do orçamento de 2021.

“A participação das despesas com Previdência e com pessoal vem crescendo a cada ano. O Orçamento tem uma parcela de apenas 6,3% de despesas discricionárias (que não são obrigatórias e podem ser remanejadas) para encaixar todos os investimentos, as políticas públicas e os gastos sociais. A cada ano as demandas se tornam cada vez mais inexequíveis”, explicou.

“Temos um superproblema quando os recursos do Estado não são suficientes nem para pagar a própria folha de salários. Estamos chegando perto dessa situação em alguns Estados”, alertou Andrade. “Queremos acreditar que esse arcabouço que enviamos hoje ao Congresso possa ajudar os governos estaduais e as prefeituras a se ajustarem”, avaliou.

Para ele, o novo regime proposto para o funcionalismo público será mais atrativo aos trabalhadores jovens. “O serviço público não tem apelo aos jovens. Os jovens hoje têm outras perspectivas e querem estar inseridos em um mundo que se move, que é maleável, e não totalmente engessado como a nossa estrutura”.

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Lorenna Rodrigues, Eduardo Rodrigues e Idiana Tomazelli, O Estado de S.Paulo

03 de setembro de 2020 | 12h53

BRASÍLIA – Juízes, promotores, procuradores, desembargadores, deputados e senadores ficaram de fora da reforma administrativa enviada pelo governo federal. Como os novos membros dos poderes Judiciário e Legislativo não serão atingidos pelas mudanças propostas, eles manterão benefícios que devem ser extintos para os futuros servidores, como férias superiores a 30 dias, licença-prêmio (direito a três meses de licença para tratar de assuntos de interesse pessoal a cada cinco anos) e adicionais por tempo de serviço.

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De acordo com o secretário de Gestão e Desempenho de Pessoal do Ministério da Economia, Wagner Lenhart, a proposta de emenda constitucional não aborda membros de outros Poderes (como promotores, procuradores, juízes, deputados e senadores), apesar de atingir os servidores, como analistas e técnicos que trabalham para os órgãos desses Poderes. Os militares também ficaram de fora.

“É uma questão de iniciativa. O Executivo não teria competência e possibilidade de iniciativa em uma mudança como essa nos outros poderes”, afirmou.

Para novos servidores dos três Poderes, além dos futuros funcionários de Estados e municípios, a proposta de reforma administrativa prevê a eliminação de licenças-prêmio, aumentos retroativos, férias superiores a 30 dias por ano e adicional por tempo de serviço.

Serão eliminados ainda a aposentadoria compulsória como punição, o pagamento de parcelas indenizatórias sem previsão legal, adicional ou indenização por substituição não efetiva, redução de jornada sem redução de remuneração, salvo em casos de saúde, a progressão ou promoção baseada exclusivamente em tempo de serviço e a incorporação ao salário de valores referentes ao exercício de cargos e funções.

Entre os motivos para a eliminação dos benefícios, o Ministério da Economia cita o distanciamento da realidade dos demais cidadãos, a ausência de regras uniformes e gerais sobre vantagens e benefício, o impacto “injusto” para a sociedade, que onera as contas públicas.

A proposta proíbe progressões automáticas de carreira, como as gratificações por tempo de serviço, e cria maiores restrições para acesso ao serviço público. O texto também abre caminho para o fim da estabilidade em grande parte dos cargos, maior rigidez nas avaliações de desempenho e redução do número de carreiras.

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