No Rio, base de Crivella tenta esvaziar impeachment

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RIO – Vereadores da base de Marcelo Crivella (Republicanos), pré-candidato à reeleição, pretendem não marcar presença na sessão marcada para esta quinta-feira, 3, na Câmara Municipal do Rio para discutir pedido de abertura de processo de impeachment do prefeito. Diferentemente do ano passado, quando os governistas derrotaram a oposição por 35 votos a 13 na votação do pedido de afastamento, não há segurança de que o resultado se repita agora. A imagem do prefeito ficou desgastada pela revelação da atuação dos “Guardiões do Crivella” – servidores da prefeitura escalados para atrapalhar e impedir o trabalho da imprensa.





© Wilton Júnior / Estadão
Prefeito do Rio virou alvo de ações após reportagem mostrar ataques à imprensa pagos com dinheiro público

Há ainda outro fator: a candidatura de Eduardo Paes (DEM), lançada nesta quarta. Muitos vereadores que apoiavam Crivella já ensaiavam se unir ao ex-prefeito, que é visto como favorito na disputa pela prefeitura. O possível processo de impeachment está acelerando essa erosão. A base do Executivo na Câmara tende a se restringir ao Republicanos mais um ou outro eventual aliado. Esse processo poderá inviabilizar a tática de esvaziamento da sessão e abrir espaço para a aprovação nesta quinta.

Dois pedidos de impedimento foram protocolados na terça-feira, um dia depois de reportagem da TV Globo revelar a ação dos funcionários comissionados do município em frente a hospitais municipais. No mesmo dia, Polícia Civil abriu inquérito para investigar indícios de crimes como peculato, constrangimento ilegal e associação criminosa. Na quarta-feira, 2, a Procuradoria Regional Eleitoral do Rio pediu à Promotoria que investigue se o prefeito cometeu crime eleitoral. Oficialmente, a prefeitura afirmou que os “Guardiões do Crivella”, como são chamados em grupos de WhatsApp, tentavam apenas divulgar informações corretas.

O requerimento está na pauta desta quinta. Se for a votação, a chance de Crivella enfrentar um processo de impeachment é grande. O episódio envolvendo os comissionados tem levado vereadores “indecisos” a migrar para oposição. Entre eles há candidatos, e o temor é de que eventual apoio a Crivella impacte negativamente na votação.

O Regimento da Casa exige presença mínima de 26 dos 51 vereadores para abrir a sessão, e aprovação por maioria simples (metade mais um) dos presentes para o pedido ser acatado. Um processo de impeachment durante a campanha eleitoral agravaria sensivelmente a situação de Crivella. Apesar disso, o possível andamento não deverá ser capaz de afastar o prefeito do cargo antes do segundo turno, em 29 de novembro.

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Com Agências

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