Maia nega que saída de DEM e MDB do bloco de Lira esteja ligada à sucessão

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), minimizou na manhã desta 3ª feira (28.jul.2020) as saídas do seu partido, o DEM, e do MDB do bloco liderado por Arthur Lira (PP-AL).

Conhecido como “Blocão”, com a mudança o grupo passará de 221 deputados para 158. Embora Lira seja o principal articulador do chamado Centrão na Câmara, é errôneo confundir o grupo com o bloco.

O bloco liderado por Lira foi criado visando a conquistar maior influência sobre a Comissão de Orçamento, que junta deputados e senadores para discutir o uso dos recursos da União. Com a pandemia, porém, as comissões não estão funcionando.

O caso envolve o partido do atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia, bem como 2 dos principais cotados para sua sucessão: o próprio Lira e o líder do MDB, Baleia Rossi (SP), que também é presidente de sua sigla. Baleia é próximo de Maia.

O deputado alagoano aproximou-se do governo nos últimos meses. Sua atuação em defesa dos interesses do Planalto incomodava políticos de DEM e MDB. Agora, as siglas ganham maior autonomia.

“A respeito das afirmações de que a saída do MDB e do DEM do Bloco Partidário liderado pelo Deputado Arthur Lira, teriam relação com divergências internas entre as siglas ou, ainda, com as eleições para a Mesa Diretora do próximo biênio, julgo importante esclarecer que a formação e desfazimento dos blocos no início de cada sessão legislativa é prática reiterada na Câmara dos Deputados”, disse Rodrigo Maia em nota distribuída à imprensa.

“Naturalmente, no início de cada ano os partidos buscam se alinhar às agremiações com as quais possuem maior afinidade para alcançar uma melhor representatividade na CMO. Os blocos formados com esse propósito duram, em geral, até a publicação da composição da CMO e sua instalação. Como, em razão da pandemia, as Comissões ainda não se reuniram, a existência do bloco acabou se prolongando. Seu desfazimento é natural, segue um padrão estabelecido pela prática congressual e nada tem a ver com a eleição para a Mesa Diretora em 2021, para a qual tradicionalmente são formados novos blocos”, escreveu o presidente da Câmara.

Íntegra

Leia a nota divulgada por Rodrigo Maia:

“A respeito das afirmações de que a saída do MDB e do DEM do Bloco Partidário liderado pelo Deputado Arthur Lira, teriam relação com divergências internas entre as siglas ou, ainda, com as eleições para a Mesa Diretora do próximo biênio, julgo importante esclarecer que a formação e desfazimento dos blocos no início de cada sessão legislativa é prática reiterada na Câmara dos Deputados. Isso ocorre em razão do disposto no art. 4º, caput, da Resolução do Congresso Nacional n. 1/2001. Segundo esse dispositivo, “na segunda quinzena do mês de fevereiro de cada sessão legislativa, a Mesa do Congresso Nacional fixará as representações dos partidos ou blocos parlamentares na Comissão [Mista de Orçamento – CMO], observado o critério da proporcionalidade partidária”. Assim, naturalmente, no início de cada ano os partidos buscam se alinhar às agremiações com as quais possuem maior afinidade para alcançar uma melhor representatividade na CMO. Os blocos formados com esse propósito duram, em geral, até a publicação da composição da CMO e sua instalação. Como, em razão da pandemia, as Comissões ainda não se reuniram, a existência do bloco acabou se prolongando. Seu desfazimento é natural, segue um padrão estabelecido pela prática congressual e nada tem a ver com a eleição para a Mesa Diretora em 2021, para a qual tradicionalmente são formados novos blocos

Rodrigo Maia

Presidente da Câmara dos Deputados”