Google manterá empregados em casa até a metade de 2021

O Google vai manter seus empregados em casa até pelo menos julho do ano que vem, o que faz do gigante das buscas online a primeira grande empresa dos Estados Unidos a formalizar um cronograma assim longo para enfrentar a pandemia do coronavírus.

A decisão vai afetar quase todos os cerca de 200 mil empregados de tempo integral e prestadores de serviço do grupo Alphabet, controlador do Google, e deve pressionar outros gigantes da tecnologia que anunciaram planos para o retorno de seu pessoal já a partir de janeiro.

Sundar Pichai, o presidente-executivo da Alphabet, tomou a decisão na semana passada depois de um debate do Google Leads, um grupo interno liderado por ele e formado pelos principais executivos da empresa, de acordo com uma pessoa informada sobre o assunto. Alguns poucos empregados do Google foram notificados da decisão ainda na semana passada, disseram pessoas informadas sobre o assunto.

“Sei que as coisas não vêm sendo fáceis”, escreveu Pichai em um bilhete ao pessoal na segunda-feira (27), depois que o jornal The Wall Street Journal reportou o anúncio iminente de que o trabalho em casa seria estendido. “Espero que isso lhes ofereça a flexibilidade de que precisam para equilibrar trabalho e cuidar de vocês e de seus familiares pelos próximos 12 meses”.

A nova data posiciona o Google firmemente entre as empresas cautelosas, no debate sobre a sabedoria e eficácia do trabalho remoto, em meio à disparada no número de casos de coronavírus e enquanto os empregadores buscam o equilíbrio entre a segurança de seu pessoal e os esforços de reabrir a economia. Algumas empresas multinacionais estão ansiosas para trazer o pessoal de volta e retornar à normalidade.

O cronograma estendido se aplica aos empregados da companhia na maior parte de seus principais escritórios, entre os quais a sede do Google em Mountain View, Califórnia, e outras unidades nos Estados Unidos, Reino Unido, Índia, Brasil e outros países.

Até agora, o Google vinha instruindo seus empregados a esperar um retorno ao escritório em janeiro.

As companhias de tecnologia do Vale do Silício estiveram entre as primeiras a mandar seu pessoal para casa em março, e vêm postergando o retorno. A decisão do Google, porém, destaca a empresa da maioria de seus concorrentes. A Microsoft, por exemplo, informou ao seu pessoal em cidades como Nova York que eles podem ser chamados de volta ainda no quarto trimestre. A ordem de trabalho remoto da Salesforce expira no final do ano. E a Apple ordenou a abertura de algumas de suas lojas, mas depois voltou a fechá-las.

Mark Zuckerberg, o fundador do Facebook, disse que antecipa que metade dos empregados da rede social trabalhe de casa, nos próximos 10 anos.