Feriadão marca o maior público em pontos turísticos durante a pandemia

No primeiro feriadão desde a libreração dos principais pontos turísticos da cidade, autorizada dia 15 de agosto, cariocas e turistas brasileiros encheram lugares como Pão de Açucar, Cristo e Parque Lage. Nesses locais, houve a maior visitação no período da pandemia.

Volta do turismo: Primeiro feriadão da pandemia tem maior procura por hotéis no Rio

Nem mesmo o tempo nublado da manhã desta segunda intimidou os visitantes no feriado de 7 de setembro. Apesar de um volume pouco menor do que o domingo, as praias e principais atrações turísticas da cidade voltaram a encher, inclusive com aglomerações e desrespeito às regras em função do Coronavírus. E se o turismo estrangeiro ainda não foi retomado com força, as atrações contaram com grande presença de moradores do estado, impulsionados pela campanha Redescubra o Rio, que dá descontos de 30 a 50% nos ingressos para o Cristo, Pão de Açucar, AquaRio, Rio Star, Jardim Botânico e Confeitaria Colombo.

Covid-19: Rio registra 48 óbitos e tendência de queda permanece pelo quarto dia seguido

No Corcovado, o feriadão representou o maior público desde o início da pandemia. No domingo, o dia mais cheio, o trem transportou 2800 pessoas, número próximo ao que normalmente se encontra em dias fora da alta estação. A capacidade máxima é de até 4 mil pessoas, mas os trens estão operando com dois terços da capacidade.

A gerente do receptivo dos trens, Jaqueline Melo, explicou que o boom de visitantes seu deu majoritariamente através dos moradores do Rio.

— A grande parte do público é de cariocas aproveitando a promoção de preços. Turistas de outros estados também vieram em bom número, já os estrangeiros foram quase nulos. Quando havia alguém era no máximo cinco por trem — disse Jaqueline, que explicou que o público nesta segunda ficou um pouco menor que o domingo. — Como nublou pela manhã, acho que veio menos gente. Já o domingo foi cheio o dia inteiro, e batemos 2800 pessoas, no sábado foram 2151.

No Corcovado, todas as pessoas que chegam têm sua temperatura aferida, e recebem alcool gel para higienização das mãos. As máscaras são obrigatórias e, nas bilheterias, há marcas no chão para distanciamento das pessoas. Os ingressos promocionais, para visitação do Cristo, vão até o dia 15 e variam entre R$20 e R$50, dependendo do traslado.

— Precisamos mostrar que o passeio é acessível e seguro —concluiu Jaqueline.

Nessa semana, a paulista Pollyani Oliveira será uma das turistas internas a aproveitar o passeio no Cristo, que foi reaberto no último dia 15 de agosto. Ela, que está hospedada em Copacabana, diz que encontrou uma estrutura melhor do que imaginava.

— Por causa da pandemia eu achei que o atendimento ao turista ia estar mais caótico, mas por enquanto está dando tudo certo — explicou ela que, nesta segunda, aproveitou a Praia de Copacabana. — Pelas imagens e relatos, parecia que a praia estava mais lotada. Mas eu achei tranquilo, consegui ficar num trecho sem aglomeração.

No Pão de Açucar, que também tem autorização para funcionar com dois terços da capacidade, os bondinhos estão operando com metade da lotação de 65 pessoas. O público no feriadão foi acima da média, informou o consórcio, em nota, mas ainda não há dados consolidados com número absoluto de visitantes. Em função do protocolo, os bondes são sanitizados após cada viagem, com produtos aprovados pela Anvisa, o uso da máscara é obrigatório, e nas filas há sinalizações para distanciamento de dois metros entre os visitantes.

— Essa é uma data muito representativa para o Bondinho Pão de Açúcar por ser o primeiro feriado após a retomada de nossas atividades. Estamos felizes em poder oferecer um turismo ainda mais responsável para que nossos visitantes tenham uma experiência com toda segurança —afirmou Sandro Fernandes, CEO do Bondinho Pão de Açúcar.

Parque Lage estuda aumentar lotação

No Parque Lage, filas de grande extensão se formaram ao longo do dia. O parque abriu dia 9 de julho com entrada de 200 visitantes por hora, mas sua capacidade foi ampliada para 400 visitantes por hora, com autorização do Parque Nacional da Tijuca, a partir de agosto. Agora, depois do sucesso desse feriadão, a diretoria já estuda pedir um novo aumento de lotação. Em julho, o número máximo de visitantes foi de 1.500, e a média subiu para 2.500 em agosto, mas o pico chegou a 4.000 no último domingo daquele mês.

Neste final de semana a quantidade foi de 4.453 pessoas no sábado, por enquanto o recorde nesse pós pandemia, e de 3.171 nesta segunda. No período pré pandemia, a média de visitantes girava entre 6 e 8 mil no verão, e no inverno a média era de 2 a 3 mil.

Quem chega ao local passa por aferição de temperatura e precisa usar máscara. No interior do espaço, há totens de álcool 70% espalhados. Por isso, Yole Mendonça, diretora da Escola de Artes Visuais (EAV), que faz a administração do Parque Lage, diz que, no interior do parque, o passeio é seguro. A maior preocupação são as filas do lado de fora.

— Ainda vamos estudar junto ao ICMBIO (que controla o Parque da Tijuca, onde fica o Parque Lage), mas a visitação precisará ser ampliada para pelo menos 500 pessoas por hora, para escoarmos melhor a fila. Tivemos a primeira experiência de um feriadão agora, e o aumento foi grande de visitação. Do lado de dentro, oferecemos um passeio seguro, e do lado de fora colocamos marcações para distanciamento, mas é preciso cooperação dos visitantes nesse momento — explicou Yole.

Praias voltam a encher

Nas praias, em que o banho de mar é permitido mas a permanência na areia não, as cenas de aglomerações se repetiram, como no último final de semana. Vendedor de caipirinhas em Ipanema há cinco anos, Gustavo da Silva afirmou que, desde o início de setembro, as areias passaram a ter um público muito acima do que vinha ocorrendo durante a pandemia.

— Hoje está um pouco mais vazio do que ontem, porque amanheceu nublado, mas ainda assim está muito cheio. Tem muito paulista por aqui, e alguns gringos.

Em Ipanema, a movimentação é maior na altura do posto 8. Na estação de metrô de General Osório o fluxo era intenso ao longo do dia. Na areia, o uso de máscara era raro, já no calçadão o uso aumentava. As aglomerações proibidas na faixa de areia eram impulsionadas pelo aluguel de cadeira e guarda sol por parte de alguns barraqueiros, que desrespeitaram a proibição da atividade, por decreto.

A artesã Jace de Oliveira, que estava trabalhando no calçadão, destacou que havia, além de turistas brasileiros, muita presença de moradores da Zona Norte e da Baixada Fluminense naquele ponto.

— Nas últimas semanas, a praia voltou a ficar cheia todos os dias, incluindo dia de semana. O consumo de álcool é muito grande pelo o que reparei. Às vezes vejo fiscalização mais dura da Guarda Municipal, principalmente no calçadão, mas não é sempre.

Em toda a orla, a presença de público foi relevante. Na Praia da Urca, cuja faixa de areia é bastante estreita, o distanciamento de 2 metros entre os banhistas era inviável de ser cumprido. No mesmo bairro, a Praia Vermelha estava cheia, mas com menos aperto.

— Nós já fomos obrigados a trabalhar e pegar transporte público durante a semana. Aproveitar a praia, passeando de carro e ficando num trecho com distanciamento, é mais seguro que o que vivemos no dia a dia — resumiu Gabriela Diniz, moradora de Vista Alegre e que levou a família para a Praia Vermelha.

Presidente da Associação de Moradores de Ipanema, Maria Amelia Loureiro critica a “irresponsabilidade dos governantes e a ignorância do povo” ao ver as praias cheias

— Com qualquer tempo, sol ou nublado, as praias estão lotadas, e nós ainda temos índices altos de contaminação. Há muitas incoerências. Como evitar aglomerações se o banho de mar é liberado? Como usar máscara na areia, debaixo do sol? Está tudo uma bagunça.

Já o presidente da Associação de Moradores de Copabacana, Horácio Magalhães, observou que a praia de Copacabana estava “cheia, mas não lotada” nesta segunda.

— Em compensação, praticamente ninguém usa máscara na areia. E há ainda muitos restaurantes cheios no entorno da praia.

Operação da prefeitura

Procurada, a prefeitura voltou a fazer um apelo para que a população siga as regras e os decretos estabelecidos. Neste feriadão, a Seop fiscalizou 107 quiosques e ambulantes na orla da Zona Oeste e Zona Sul. Houve multa para 24 barraqueiros por alugarem cadeiras e guarda-sóis. Já 38 estabelecimentos noturnos foram fiscalizados, resultando em 19 multas por diversas irregularidades, incluindo descumprimento às medidas de enfrentamento à pandemia de Covid-19.

Na Zona Sul, a Coordenadoria de Controle Urbano, da Secretaria Municipal de Fazenda identificou 20 infrações e apreendeu 196 itens irregulares. Ainda houve 26 carros removidos por estacionamento irregular.

Nesta segunda, a Subsecretaria de Vigilância Sanitária realizou seis inspeções em atendimento a denúncias da Central 1746. Na ação, os fiscais emitiram três infrações, sendo duas em um hotel da Rua Hilário de Gouveia, 17, em Copacabana, por falta de licença sanitária e self sevice; e outra em um supermercado da Rua Senador Vergueiro, 51, no Flamengo, por produtos impróprios ao consumo.

No feriadão, foram 146 inspeções em shoppings, bares, restaurantes, quiosques da orla, entre outros estabelecimentos. Os técnicos da pasta emitiram 34 infrações, interditando totalmente uma casa de show em Madureira por reincidência e um restaurante no Anil por aglomeração e música ao vivo e um bar clandestino no Recreio. Também foram fechados parcialmente dois quiosques da Prainha.

Guardas municipais multaram um bar e restaurante, por aglomeração em via pública e funcionamento fora do horário permitido, na Avenida das Américas, no Recreio dos Bandeirantes, onde ocorria uma festa rave na manhã desta segunda-feira.


Com Agências