Feira do Livro de Porto Alegre será online, confirma Câmara Riograndense do Livro


Tradicionais atividades do evento, como encontros com autores e bate-papo serão em formato de live, explica o presidente da Câmara. Livreiros que não têm lojas digitais receberão orientação para desenvolver seus e-commerce. Atividades presenciais da Feira do Livro não estão previstas neste ano

A Feira do Livro de Porto Alegre será totalmente online neste ano, conforme o presidente da Câmara Riograndense do Livro, Isatir Bottin Filho. É a primeira vez em 66 anos de evento que não há previsão de atividades presenciais na Praça da Alfândega, decisão tomada devido aos riscos de disseminação do coronavírus.
A feira acontece entre os dias 30 de outubro e 15 de novembro. A programação está sendo elaborada e ainda não tem data para ser lançada.
Uma plataforma está sendo criada para concentrar as atividades. Eventos como bate-papos e encontros com autores devem acontecer por lives. A venda do livro será por e-commerce, e a Câmara trabalha para auxiliar os livreiros que não tenham sites próprios para desenvolverem seus marketplaces. A plataforma irá direcionar os compradores, explica Isatir.
A Câmara conta com auxílio do Sebrae, que vai orientar os livreiros na criação dos sites. “Alguns associados já tem [o site] pronto, mas a maioria é de pequeno porte, não tem o foco no digital”, afirma. Do total de 100 membros da entidade, o presidente estima que 50% não tenham venda online própria.
“A Feira nunca deixou de fazer uma edição, é ininterrupta desde 1955. É um patrimônio imaterial da cidade, então a gente vai fazer com que ocorra dessa forma, adaptando o modelo ao novo formato”, observa.

A realização de sessões de autógrafos, dos momentos mais tradicionais da feira, também terá que ser adaptada e dependerá dos vendedores. “A gente está tentando viabilizar. Autores de fora não vai ser possível, mas os escritores daqui, as editores podem entregar livros autografados”, comenta Isatir.
A própria estrutura da Câmara Riograndense do Livro está diferente neste ano: a entidade deixou de contratar os profissionais que auxiliariam nas atividades presenciais da feira, que em uma edição normal são cerca de 30, e mantém somente a equipe da entidade, com 12 funcionários, para viabilizar a feira.
O lançamento da campanha temática e a escolha do patrono são os próximos passos, ainda sem data confirmada, diz Isatir.
Em meio a tantas novidades, o diretor da Câmara acredita que as adaptações trarão um lado positivo: o aumento de alcance da feira, possibilitado pelo formato online.
“Eu vejo um crescimento muito grande pro evento. Por exemplo, fazíamos uma atividade, o Autor no Palco, que reunia 300 jovens para participar, hoje, a gente pode envolver uma série infinita de aluno”, afirma.
“Tínhamos limitações de espaço, de divulgação. [com o formato online] As pessoas vão poder participar, assistir de casa, quando a gente tinha evento limitado por número de pessoas, era uma atividade muito concorrida. Autores como a Monja Coen sempre tinha distribuição de senhas, limitadas a quem cabia no auditório”, afirma.
A perspectiva de vendas é uma “incógnita”, diz Isatir. “É um momento muito difícil, a gente tem uma queda muito grande no comércio como um todo. No livro não é diferente”, aponta.
A Câmara não faz estimativa de vendas, mas Isatir comenta que há uma percepção geral entre os associados que a procura por compras online de livros teve um acréscimo, durante a pandemia. “Isso tá sendo muito bom, mas a gente não sabe se o mercado vai continuar durante a pandemia”, comenta.
No ano passado, a Feira terminou com queda de 4,5% nas vendas, com 226.971 exemplares comercializados.

Com Agências