Endividamento bate recorde em julho; efeito é maior para famílias com menor renda

O percentual de famílias brasileiras endividadas voltou a crescer no mês de julho, alcançando novo recorde histórico, de 67,4%. Em comparação com junho o aumento foi de 0,3 ponto percentual, já com relação a julho do ano passado, a alta chegou a 3,3. Os dados são da Pesquisa de Endividamento das Famílias, da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo.

A proporção inclui as famílias endividadas de diversas formas, que vão do cheque especial ao empréstimo pessoal e prestação de carro ou casa própria. Mas o grande vilão é o cartão de crédito, apontado como o principal tipo de dívida por mais de 76% das famílias com débitos.

Assim como no último mês, a economista da CNC Izis Ferreira explica que a sondagem detectou algumas diferenças, de acordo com a faixa de renda dos pesquisados.

O ponto positivo foi a queda entre as famílias que se declararam como muito endividadas, que chegou a 16,1% em junho, e neste mês ficou em 15,5%. Essa foi a primeira queda apresentada pelo indicador desde janeiro. Na comparação anual, porém, houve alta de 2,2 pontos percentuais.

Já o número de famílias com dívidas ou contas em atraso aumentou de 25,4% em junho para 26,3% em julho, atingindo a maior proporção desde setembro de 2017.

Também houve crescimento do percentual de famílias que declararam não ter condições de pagar seus débitos em atraso e que, portanto, vai permanecer inadimplente. Esse grupo saltou de 11,6% para 12% em um mês, o maior índice desde novembro de 2012.

O mesmo indicador também variou de acordo com os rendimentos. Entre as famílias que recebem até 10 salários mínimos, a inadimplência subiu para 29,7% em julho. Já aquelas que têm ganho superior a 10 salários, a proporção apresentou leve queda de 11,4 para 11,2%.