Em pronunciamento no dia da Independência, Bolsonaro cita passagens históricas do Brasil

Gustavo Maia e Marcello Corrêa
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Em pronunciamento em cadeia nacional de rádio e TV nesta segunda-feira pelo dia da Independência, o presidente Jair Bolsonaro fez menção indireta ao golpe militar de 1964 ao destacar fatos históricos do país. Segundo o presidente, o episódio ocorreu quando o Brasil foi ameaçado pela “sombra do comunismo”.

— Nos anos 60, quando a sombra do comunismo nos ameaçou, milhões de brasileiros, identificados com os anseios nacionais de preservação das instituições democráticas, foram às ruas contra um país tomado pela radicalização ideológica, greves, desordem social e corrupção generalizada — disse Bolsonaro, no pronunciamento de menos de três minutos.

Ele mencionou “aquele histórico 7 de setembro de 1822, às margens do Ipiranga”, para declarar que o Brasil disse ao mundo naquele dia que “nunca mais aceitaria ser submisso a qualquer outra nação e que os brasileiros jamais abririam mão da sua liberdade”. E comentou que a identidade nacional começou a ser desenhada com a miscigenação entre índios, brancos e negros.

O pronunciamento continuou com menções a “ondas de imigrantes” que vieram ao país “trazendo esperanças que em suas terras haviam perdido”. O presidente disse ainda que religiões, crenças, comportamentos e visões eram assimilados e respeitados, e que o Brasil “desenvolveu o senso de tolerância”, tornando iguais os diferentes.

— O legado dessa mistura é um conjunto de preciosidades culturais, étnicas e religiosas, que foram integradas aos costumes nacionais e orgulhosamente assumidas como brasileiras. Passados quase dois séculos da Independência, nos quais enfrentou e superou inúmeros desafios, o Brasil consolidou sua posição no concerto das nações. Ainda no século XIX, durante o período do Império, fomos invadidos e agredidos, derrotando a todos. Já no século XX, durante a II Guerra Mundial, a Força Expedicionária Brasileira foi à Europa para ajudar o mundo a derrotar o nazismo e o fascismo — declarou Bolsonaro, para em seguida falar dos acontecimentos dos anos 60.

No período exaltado pelo presidente, militares iniciaram uma ditadura que durou 21 anos e só acabou em 1985.

— O sangue dos brasileiros sempre foi derramado por liberdade. Vencemos ontem, estamos vencendo hoje e venceremos sempre — comentou Bolsonaro.

Ele prosseguiu reiterando o seu “amor à Pátria” e seu compromisso com a Constituição e “com a preservação da soberania, democracia e liberdade, valores dos quais nosso País jamais abrirá mão”.

— A Independência do Brasil merece ser comemorada hoje, nos nossos lares e em nossos corações. A Independência nos deu a liberdade para decidir nossos destinos e a usamos para escolher a democracia. Formamos um povo que acredita poder fazer melhor. Somos uma Nação temente a Deus, que respeita a família e que ama a sua Pátria. Orgulho de ser brasileiro — concluiu o presidente.


Com Agências