Conheça a história de microempresários que criaram negócios na pandemia


São Paulo

A crise trazida pela pandemia do novo coronavírus foi o empurrão que faltava para a técnica em hotelaria Carolline Silva, 28, virar empreendedora.

Ela não é a única. Do meio de março até o fim de julho, 686.788 pessoas viraram MEI (microempreendedor individual), segundo dados do Portal do Empreendedor.

Ex-funcionária do departamento de eventos de um hotel em São Paulo, Carolline sempre quis apostar no setor de decoração para festas infantis. Demitida no início da pandemia, ela foi rápida ao enxergar uma oportunidade para entrar no ramo e lançou um produto inovador.

“Pesquisando nas redes sociais, vi que as famílias estavam cancelando festas de aniversário e tive a ideia de criar uma caixa-supresa, com a festa completa dentro, para que as comemorações pudessem acontecer em casa, em família”, conta.

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A técnica em hotelaria Carolline Silva abriu seu próprio negócio, de caixas com itens para festas infantis, durante a pandemia
Jardiel Carvalho/Folhapress

A caixa de MDF, projetada pelo marido e executada por um marceneiro, mais o material de papelaria para os enfeites da primeira festa, com tema de sereia, custaram R$ 2.000. Bastaram alguns posts no Instagram e no Facebook para que as encomendas começassem a chegar.

“O primeiro vídeo teve 8.000 visualizações em poucas horas”, diz.

Desde 8 de julho, data do lançamento, Carolline já vendeu sete festas, com temas variados, a R$ 450 cada uma. Dentro da caixa, além da decoração, vão bolo, doces e salgados para até sete pessoas —os itens de alimentação são fornecidos por uma parceira.

Quem encomenda a festa paga antecipado e tem o direito de ficar com a caixa por até cinco horas. Carolline faz a entrega em domicílio e vai buscar a estrutura vazia depois, cobrando frete de acordo com o endereço.

“Já fiz 15 cotações para o mês de setembro. Deu tão certo que pretendo manter a empresa mesmo depois que os bufês reabrirem. Vai continuar sendo uma boa alternativa para quem não pode investir em eventos grandes.”

A rapidez com que Carolline teve a ideia e a pôs em prática foi fundamental para o sucesso do negócio, segundo o especialista em inovação e tendências Arthur Igreja.

Mestre em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas, ele reconhece que a pressa deixa o empreendedor mais sujeito a erros, mas vê vantagens no processo.

“Há uma linha tênue entre ser ágil ou apressado e tudo o que é feito com mais velocidade traz riscos atrelados. Em compensação, onde há mais risco há também maiores recompensas. Essa é a equação fundamental do empreendedorismo.”

A agilidade do fisioterapeuta Helder Montenegro, 60, também fez a diferença para o sucesso de sua nova empresa.

Dono de uma academia de ginástica em Fortaleza (CE), especializada no atendimento personalizado de idosos, cardiopatas e diabéticos, ele foi obrigado a fechar as portas no dia 18 de março.

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O empresário Helder Montenegro, que precisou fechar sua academia por causa da pandemia, lançou uma microfranquia de treinamento para profissionais de educação física, a Person@ll
Divulgação

Inicialmente, os professores passaram a dar aulas remotas, cada um em sua casa, mas de forma improvisada. Foi aí que Montenegro teve a ideia de criar um sistema completo de gestão, para que personal trainers aprimorassem as aulas e se tornassem profissionais 100% independentes.

Lançada oficialmente no dia 30 de junho, a microfranquia Person@ll conquistou 128 franqueados em um único dia, atraídos pelo investimento inicial baixo, de R$ 2.000.

A franquia treina os profissionais de educação física para o atendimento de casos específicos, como emagrecimento e terceira idade, e fornece atualizações científicas —a parte técnica fica a cargo do mestre em Educação Física Paulo Gentil. Mas não é só.

“Quem adquire a franquia tem acesso a uma plataforma de gestão e aprende a montar um estúdio em casa. Criamos até um fundo para os vídeos, com ilustração em 3D, que simula o ambiente de uma academia”, diz Montenegro.

Ideias como as lançadas por Carolline e Montenegro não devem ser encaradas como soluções passageiras, acredita Bruno Quick, diretor técnico do Sebrae. Para ele, as novas demandas vieram para ficar.

“A crise do coronavírus só acelerou o surgimento de tendências que aconteceriam de uma forma ou de outra. Tudo o que vai na direção de novos hábitos tende a durar”, afirma Quick.

É de se esperar, inclusive, que outros empreendedores lancem produtos e serviços parecidos na sequência —os pioneiros devem estar atentos à concorrência.

“A tendência é que essas ideias se alastrem mesmo, mas há um limite do tamanho do mercado. Quem tem mais qualidade e preço condizente não só vai permanecer no mercado como tem chance de crescer.”



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Com Agências