Agência BR - Ibovespa cai após exoneração de Teich do Ministério da Saúde

Ibovespa cai após exoneração de Teich do Ministério da Saúde

Negócios -

Ibovespa, principal índice de ações da bolsa brasileira entrou em queda no fim da manhã desta sexta-feira, 15, após Nelson Teich pedir exoneração do comando do Ministério da Saúde. Às 14h, o Ibovespa caía 1,04% e marcava 78.188, 480 pontos. Antes da notícia, o índice oscilava entre o território positivo e o negativo, com a melhora da relação entre o presidente Jair Bolsonaro e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia.  

Teich é o segundo ministro a deixar a pasta em meio à pandemia. Em abril, o então ministro Luiz Henrique Mandetta também pediu demissão por se opor à visão do presidente em relação ao afrouxamento das quarentenas. De acordo com os últimos dados do Ministério da Saúde, o Brasil já possui 202.918 casos de coronavírus covid-19 confirmados e 13.993 mortes pela doença.

“A maneira como ele [Bolsonaro] tenta reabrir a economia é desagregadora. Isso acaba gerando ainda mais estresse no mercado”, disse Victor Hasegawa, gestor de ações da Infinity Asset. Segundo ele, a intromissão do presidente em questões técnicas podem levar o mercado a consequências ainda piores.

Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos, vê a saída do ministro como sinônimo de mais instabilidade política. “No curto prazo, tende a a continuar sendo precificado esse risco político nas ações brasileiras. O mercado prefere muito mais um ambiente mais calmo”, disse.

Nesta manhã, o Departamento de Comércio americano afirmou que visa “atingir estrategicamente a aquisição de semicondutores da Huawei que são o produto direto de certos softwares e tecnologias dos EUA”. A medida aumenta a preocupação dos investidores em relação à guerra comercial entre os dois países. Nas últimas semanas, o presidente Donald Trump, que responsabiliza a China pela pandemia de coronavírus, já vinha ameaçando impor sanções econômicas ao país com forma de penalização.

“A Huawei é uma empresa visada pelos EUA desde o início da guerra comercial. É algo bem importante isso, já que a companhia é uma das principais da China. Sem dúvida, acaba acirrando a batalha entre os dois países”, disse Henrique Esteter, analista da Guide Investimentos.

Por outro lado, dados macroeconômicos da China voltaram a surpreender positivamente. Enquanto a economia se deteriora no mundo, em abril, a produção industrial chinesa cresceu 3,9% em relação ao ano passado. O número ficou acima das projeções do mercado, que esperava uma expansão de 1,5%. No início da manhã, a produção chinesa ajudava as bolsas globais a subirem. 

No radar dos investidores, também está o PIB da Alemanha do primeiro trimestre, que veio negativo pela segunda vez consecutiva, colocando o principal país da Zona do Euro em recessão técnica. Os números, que apontaram para queda de 1,9% na comparação anual também vieram piores que a expectativa de mercado, que esperava uma contração de 1,6%.

Destaques

Embora tenha reportado prejuízo de 48,5 bilhões de reais no primeiro trimestre, o balanço da Petrobras agradou os acionistas. “O número foi afetado por uma revisão no valor dos ativos (impairment) de 63 bilhões de reais proveniente da revisão das estimativas de preços do Brent no longo prazo no contexto global pós-coronavírus”, explicam analistas da Levante em relatório. 

As ações ordinárias da estatal avançam 2,8% e as preferenciais, 1,4%. Com participação de cerca de 10% no Ibovespa, os papéis da companhia ajudam a segurar o índice de quedas mais bruscas.

O resultado do primeiro trimestre da B3, empresa que administra a bolsa de valores brasileira, também teve impactos positivos nas ações da companhia. A empresa foi beneficiada, principalmente, pelo aumento do volume de negociação na bolsa durante a crise do coronavírus. O lucro líquido da empresa subiu 70% na comparação anual. Na bolsa, a ação da B3 sobe 4,4%


Fonte: Com Agências

 


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