A candidatura de Áurea Carolina

Na série que começamos ontem aqui neste espaço para analisar as candidaturas já confirmadas pelos partidos à Prefeitura de Belo Horizonte, depois de falar de Marcelo de Souza e Silva (Patriota), hoje é dia de falar do nome do PSOL, a deputada federal Áurea Carolina, que disputa pela primeira vez um cargo no Executivo.

As duas últimas eleições mostraram a força eleitoral da candidata psolista nas disputas proporcionais. Não por acaso, ela foi a vereadora mais votada logo em sua primeira disputa à Câmara Municipal, com mais de 17 mil votos e, dois anos depois, alcançou 162 mil votos para ser eleita à Câmara Federal. Desses votos, quase 80 mil vieram da capital, o que a coloca em um patamar expressivo, com um patrimônio político que não pode ser desprezado.

Além do mais, Áurea poderá usar a seu favor na campanha o fato de ser jovem, com um perfil novo, que o eleitorado tem valorizado nos últimos pleitos em que a política tradicional perdeu prestígio. Soma-se a isso o próprio fato de ser uma mulher disputando em um momento em que crescem as campanhas na sociedade para que o voto feminino seja dado a mulheres, o que é relevante considerando que elas são majoritárias no conjunto do eleitorado de Belo Horizonte.

Por fim, ao contrário de outros partidos da esquerda, o PSOL em Belo Horizonte ainda não tem, hoje, grandes máculas no currículo. Assim, a vinculação do nome à legenda causa menos prejuízos do que em outros casos na disputa eleitoral de Belo Horizonte. Tudo isso, portanto, são trunfos para Áurea Carolina ter êxito na campanha.

Mas, claro, como todos os candidatos, também há desafios e pontos negativos que os adversários tendem a  explorar. Um problema que ela terá que enfrentar é a flagrante divisão na esquerda. Embora preguem boas relações, o fato é que PSOL, PT e PCdoB lançaram três candidatos, que tendem a dividir votos e esvaziar as chances de alguém desse campo ideológico alcançar um eventual segundo turno. Para que um deles se destaque, necessariamente os demais precisarão ficar logo pelo caminho.

Também será difícil para o PSOL, como sempre tem sido aliás, dar ao eleitor exemplos de que o partido pode fazer um bom trabalho no Executivo. Digo isso pois não há grandes exemplos, não há experiências do partido em grandes prefeituras ou governos. Isso, geralmente, torna mais difícil convencer o eleitor a fazer essa escolha, principalmente em uma cidade do tamanho de Belo Horizonte.

Também pode-se destacar o fato de que Áurea não tem pretendido cumprir os mandatos na integralidade, entrando em outras disputas. Assim, ela foi eleita vereadora e ficou apenas dois anos no cargo para virar deputada e, agora, com apenas dois anos, vai tentar deixar a Câmara para assumir a prefeitura, o que é prática comum dos políticos tradicionais. Como convencer o eleitor que, em dois anos, não vai fazer o mesmo para disputar o governo do Estado? É claro que o PSOL tentará usar o argumento de que as candidaturas da legenda em cargos do Legislativo são coletivas, mas o fato é que o nome de Áurea estava na urna e, hoje, ao menos no caso da Câmara de BH, é outra vereadora que exerce o mandato. Adversários certamente vão querer utilizar isso como ponto e será um desafio lidar com isso na campanha.


Com Agências