Zezita Matos diz que escapou da ditadura por causa de seu nome

30 de agosto de 2016

Gabriel Sobreira

– Atriz de ‘Velho Chico’ também revela que foi traída pelo marido –

Rio-  O ofício de atriz salvou duas vezes a vida de Zezita Matos, de 74 anos, a Piedade de ‘Velho Chico’, da Globo. A primeira foi quando ela escapou de ser presa pela ditadura, em 1964. “Era da juventude comunista. Fazia teatro quando militares procuraram pelo meu nome de batismo, Severina de Souza Pires. As pessoas me conheciam como Zezita. Quem sabia meu nome real não me entregou”, recorda.

A segunda foi quando, depois de 40 anos de casamento, Zezita descobriu que o marido a traía. “Foi o amor da minha vida. Se apaixonou por outra e foi embora. Ele me disse: ‘Vou sair de casa’. Perguntei se ele tinha alguém, ele negou. Mas eu soube que tinha alguém. Hoje ainda tenho um nó na garganta. O trabalho me ajudou a superar essa dor. Fiz terapia, mas o teatro ajudou muito mais”, frisa ela, que tem três filhos e seis netos.

Nascida em uma fazenda na cidade de Pilar, na Paraíba, Zezita nunca gostou muito de ser chamada de Severina. Na verdade, ela só descobriu o nome de batismo aos 12 anos. É porque sua família e amigos só se referiam a ela com o apelido. “Minha mãe me mostrou o registro quando fui fazer uma admissão no colégio. Levei um choque. Aí, passaram anos para conseguir diminuir o trauma. Hoje, acho bonito o nome Severina. Antes, era um nome muito popular”, brinca.

Quando perguntada se ainda acredita no amor, ela rapidamente responde: “Se eu não estiver apaixonada pelo trabalho ou por alguma coisa, não vivo. Mas não penso em namorar”, garante.

Zezita destaca as poucas oportunidades de trabalho na terceira idade. “Depois que passamos dos 60, fica mais difícil conseguir trabalho no teatro, na TV, no cinema, em toda área. Felizmente não tenho do que reclamar. Estou produzindo mais do que há dez anos”, vibra.

Conhecida como a primeira dama do teatro paraibano, a atriz tem 58 anos de carreira. E vem se divertindo com a repercussão da fama trazida pela TV. “As pessoas me param na rua, me falam que eu lembro a mãe delas, tia. Todos me abordam com muito carinho. É gratificante”, conta.

Uma mulher simples de voz suave e firme, além de muito simpática. Assim é Zezita e sua personagem. Na trama, ela é uma matriarca de sangue quente, que enfrenta tudo e todos pela segurança e felicidade da família. “Amo a personagem, é uma analfabeta que tem as ideias mais humanas. Ela é uma mulher universal, que sofre, dá conselhos, tem a visão do futuro”.

Nos próximos capítulos, Piedade sofrerá quando o filho Santo (Domingos Montagner) sair de perto dela para ir morar com Tereza (Camila Pitanga). “Essa separação é uma dor para a Piedade”, diz a atriz, dando pitaco sobre o autor do atentado contra Santo: “Acho que foi o Carlos Eduardo (Marcelo Serrado)”.

A atriz tem dois passatempos favoritos: observar a lua e costurar. Quando está nos estúdios esperando para gravar, ela adora pregar botão ajudando as costureiras da Globo. “Costurar me ajuda a relaxar”, diz. 

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