Vítimas de racismo contam com ponto de apoio no Carnaval

25 de fevereiro de 2017

Quem for vítima de racismo ou intolerância religiosa durante a folia pode procurar o Centro de Referência Nelson Mandela, equipamento da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial do Estado (Sepromi) que oferece orientação jurídica gratuita em situações de violação de direitos nesta área.

A denúncia pode ser feita na sede do Procon (Rua Carlos Gomes) até a próxima terça-feira (28), das 14h às 22h, ou pelos telefones (71) 3117-7448 e 0800 284 0011 (Ouvidoria Geral do Estado). 

O serviço de enfrentamento ao racismo também inclui campanha de sensibilização nos circuitos da festa, com distribuição de material informativo, e equipes de técnicos especializados, que fazem abordagem qualificada para o monitoramento de casos relacionados.

Apenas nesta quinta-feira (23) foram realizadas 52 entrevistas com foliões, ambulantes, cordeiros, turistas e catadores de material reciclável.

Deste número, 22 pessoas alegam ter sofrido racismo em algum momento da vida. Já 30 afirmaram ter presenciado o ato. “A nossa expectativa é que o máximo de pessoas possíveis tome conhecimento dos serviços ofertados pelo Centro de Referência Nelson Mandela e leve adiante a denúncia”, disse o coordenador executivo de Promoção da Igualdade Racial da Sepromi, Antônio Cosme Lima.

 Relatos de discriminação                     

"O racismo é constante”, afirmou Ednalva Correia, na saída do bloco Alerta Geral, após relatar um dos atos de desrespeito na sua trajetória. “Fui a um dos prédios no bairro da Pituba, e me mandaram entrar no elevador de serviço, achando que eu fosse empregada e não visitante, por causa da minha cor”.

Já a jovem candomblecista Emile Santos, do Bankoma, compartilhou um caso de intolerância religiosa. “Estava parada em frente ao meu terreiro, com minha roupa de ração, quando me insultaram: Não bastava ser negra, ainda tem que ser macumbeira”.

Para Luciana Santos, que curte neste Carnaval o bloco Pagode Total, a orientação nos circuitos é importante para que as pessoas saibam quais são os seus direitos.

“A população já está tão acostumada a ser maltratada, que acha que o racismo é normal, mas isso precisa acabar”. Uma das principais soluções, de acordo com a ambulante Arlete Macedo, é não se calar. “Temos que parar de achar que o racismo é natural e buscar providências”. É neste sentido que a cordeira Suzi Santos alerta: “Racismo é crime e deve ser denunciado”.

Racismo Institucional

Segundo o coordenador dos trabalhos, Antônio Cosme Lima, o racismo, sobretudo o institucional, pode se manifestar de diversas formas.

“As ocorrências podem acontecer no momento em que o negro não tem acesso a determinado bloco ou camarote; quando os veículos de comunicação, além de não dar visibilidade aos blocos afro, mostra a população negra de uma forma deturpada”.

Também se manifesta, segundo ele, “quando os negros são recrutados, basicamente, para trabalhar como cordeiros, quase nunca na recepção de camarotes; e quando os catadores de material reciclável e ambulantes atuam em condições inadequadas, sem proteção, com os filhos nas ruas.

Os circuitos são espaços em que a população vulnerável usa para trabalhar e, muitas vezes, dormem nos pontos”.

Parcerias 

Neste ano, a Sepromi ampliou as parcerias, capacitando atendentes da Ouvidoria Geral do Estado e integrantes do projeto Guias e Monitores, da Secretaria do Turismo (Setur), para que orientem os cidadãos em situações de racismo ou intolerância religiosa no Carnaval.

A pasta também atua de forma integrada com a Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS) no espaço do Procon. Os casos são acompanhados pela Rede de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa.

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