TSE apura R$ 300 milhões em doações suspeitas a candidatos

O Dia

– Justiça Eleitoral alerta que votos em candidatos mortos não serão transferidos –

Rio – O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou um balanço, ontem, mostrando 93.048 doações suspeitas às campanhas eleitorais deste ano, que somam mais de R$ 300 milhões feitas por 46,6 mil desempregados, 22,3 mil beneficiários do Bolsa Família e 143 mortos.

O número excessivo de pessoas com renda incompatível ao valor doado é um dos principais pontos que chamaram a atenção do TSE e do Tribunal de Contas da União (TCU). 

Pela nova lei eleitoral, as doações de pessoas físicas devem se limitar a 10% de sua renda do ano anterior. Qualquer contribuição acima desse limite pode levar à cobrança de uma multa no valor de cinco vezes a quantia em excesso.

Nesta campanha — a primeira realizada sem financiamento empresarial —, uma das principais suspeitas do TSE é que as doações acima do limite legal por pessoas físicas indiquem uma forma de camuflar doações de outra origem, o que pode ser enquadrado como crime eleitoral.

VOTOS NULOS

Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) informou, ontem à tarde, que existe a possibilidade de o nome dos 16 candidatos que foram assassinados nesta campanha, no Rio de Janeiro, constarem nas urnas eletrônicas no domingo, dia da votação. Entretanto, se os candidatos receberem votos, estes serão anulados pela Justiça.

O caso de assassinato mais recente foi o do presidente da Portela, Marcos Falcon, que disputava uma das vagas de vereador na capital fluminense pelo Partido Progressista. Ele foi morto a tiros de fuzil dentro do seu comitê, em Oswaldo Cruz, na última segunda-feira. A polícia investiga o caso.

“Se a urna já está preparada, é possível que apareça a figura do candidato que acaba de falecer e que os votos sejam computados. Mas os votos dados a candidatos falecidos serão nulos, pois o registro já foi anulado”, explicou a diretora-geral do TRE, Adriana Brandão.

O presidente do TRE-RJ, desembargador Antônio Jayme Boente, tem acompanhado a atuação das autoridades de segurança nos locais de votação considerados mais perigosos, devido a conflitos envolvendo milícias e traficantes. Além da capital, a segurança será reforçada também em Duque de Caxias, Nova Iguaçu, São João de Meriti, São Gonçalo, Belford Roxo, Campos, Macaé, Magé, Queimados e Japeri.


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