Trecho da Avenida Brasil perto da Maré é o local onde há mais assaltos em ônibus

Bruna Fantti e Paola Lucas

– O DIA mostra áreas e horários mais visados por assaltantes de coletivos. Nesta quarta-feira, ação acabou em morte –

Rio – Eram quase 7h da manhã de ontem quando Daniel Mangueira Correia, de 18 anos, visivelmente alterado, tentou entrar pela porta da frente do ônibus da linha 493 (Nova Iguaçu — Central) na Avenida Brasil. Não teve sucesso e, aproveitando a descida dos passageiros, ingressou pela porta traseira. Dez minutos depois, na altura do Complexo da Maré, usou uma submetralhadora para anunciar um assalto. A ameaça contra os passageiros foi sua última ação. Um homem, ainda não identificado, atirou contra Daniel, que morreu na hora dentro do ônibus, ao lado da arma de guerra capaz de disparar até 30 tiros por cartucho.

De acordo com o Instituto de Segurança Pública (ISP), o número de assaltos a ônibus cresceu mais de 40% entre janeiro e agosto deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado. E se o comparativo for feito com o mesmo mês de 2015, o aumento é ainda maior: 337 casos para 608, mais de 80% de crescimento. Muitos casos, porém, não são registrados nas delegacias e, por isso, não entram nas estatísticas oficiais. O ISP também não contabiliza o número de coletivos assaltados, e sim os boletins de ocorrência feitos pelos passageiros.

Levantamento realizado pelo DIA junto às empresas de ônibus que trafegam no Rio mostra que o trecho da Brasil que margeia o Complexo da Maré é o recordista em assaltos a ônibus neste ano no estado: 63 em apenas 3,7 km. A Avenida Presidente Vargas, no trecho entre a Central do Brasil e a Prefeitura, concentra o segundo maior número de assaltos: foram 53 coletivos cujos passageiros foram roubados desde 1º de janeiro até segunda-feira. Esses casos poderiam aumentar os já altos índices de roubo em coletivo registrados pelo ISP.

Imagens obtidas pela reportagem mostram que os assaltos normalmente são feitos em duplas, por homens, e não duram mais que cinco minutos. “Parecia que ele tinha usado drogas. Entrou na Cidade Alta e sentou. Depois, anunciou o assalto. O tiro passou muito perto de mim. Tudo aconteceu muito rápido”, recordou Bruno Souza, 25, funcionário da Fiocruz, que testemunhou o assalto de ontem.

Terça e sexta à noite há mais casos

Na capital, o dia da semana que mais teve registros de assaltos a ônibus foi sexta-feira, entre 17h e 22h (47 casos), seguido de terça-feira, entre 17h e 21h (com 38 registros). Já domingo, pela manhã, foi o dia que teve menos registros. Entre 8h e 9h, nenhum caso foi registrado nas delegacias. “Acredito que devam (os bandidos) estar dormindo dos assaltos da madrugada”, opinou um inspetor da 6ºDP (Central).

As linhas mais assaltadas são a 425D (Alcântara-Campo Grande), com 21 casos; 551L (Nova Iguaçu-Penha), 13; 734L (Rio das Pedras-Madureira),11; 715L (Cascadura-Rio Redentor), 10, e 740D (Niterói-Copacabana), com 10.

Meta é ampliar as apreensões

O assalto de ontem, com o uso de uma submetralhadora, trouxe apreensão à Polícia Militar. Segundo o coronel Oderlei Santos, porta-voz da corporação, as ações para apreender armas de longo calibre serão reforçadas, principalmente, nas vias expressas, como a Avenida Brasil. “Todo o uso de arma de maior letalidade traz uma maior preocupação. Por isso, a PM já trabalha e vai continuar a trabalhar de maneira incessante para retirá-las das ruas”, destacou.

O oficial reconhece que houve aumento de roubos, mas lembra que no mesmo período a corporação conseguiu a redução de assaltos na Zona Oeste da cidade e Região Metropolitana. “Pretendemos aprimorar o trabalho nas demais regiões, é um trabalho contínuo. Além disso, o comando da corporação reforçou o Batalhão de Policiamento em Vias Especiais. Nas últimas três formaturas foram destinados 60 agentes para a unidade”, disse. A corporação já apreendeu neste ano 5.444 armas, sendo 772 de longo cano, com fuzis e metralhadoras, uma média de 20 por dia.


Outros destaques: