Trade lamenta desabamento parcial do Centro de Convenções

“Vemos com uma grande perda já que tínhamos esperanças com a reabertura. Do jeito que está, só a demolição”. A avaliação do presidente do Sindicato das Empresas de Turismo do Estado da Bahia (Sindetur) e do Conselho Baiano de Turismo (CBTur), Luiz Augusto Leão, reflete o sentimento de boa parte do trade turístico baiano, por conta do desabamento de parte de uma estrutura do Centro de Convenções, ocorrido na noite da última sexta-feira. Com o desabamento, três pessoas que trabalham no local ficaram feridas.

Na manhã de ontem, funcionários colocavam tapumes de alumínio na área em frente à entrada de veículos, que continua interditada. Para garantir a segurança no local, agentes do Batalhão Turístico da Polícia Militar (Beptur), com uma viatura, e uma unidade móvel da PM também estavam presentes. O movimento de pessoas foi pequeno a frente do equipamento.Com a interdição, o trânsito precisou ser alterado na Avenida Professor Manoel Ribeiro, já que o trecho no sentido orla está bloqueado. Com isso, o trecho no sentido Stiep precisou ser sinalizado para que os veículos pudessem trafegar nos dois sentidos. 

Quanto à estrutura, ainda era possível notar o estrago causado pelo desabamento, com a grande quantidade de resíduos por cima da laje próxima a guarita e em outras partes do equipamento. O local passava por intervenções desde 2015 cujo investimento era de R$ 5 milhões.

“É um monumento histórico. Eu vim para vários shows e formaturas aqui. É muito triste a situação de abandono pelo qual ele passa, sendo que era muito importante para a cidade”, disse o aposentado Luis Henrique de Castro, ao passar em frente ao local no último domingo. Morador do bairro, ele relatou ter ouvido o estrondo quando estava em casa, na hora do banho. “Foi como se fosse a queda de um helicóptero. As pessoas ficaram sem entender nada”, ressaltou.

Preocupação
Para representantes do trade turístico baiano ouvidos pela Tribuna, o ocorrido deve representar ainda mais prejuízos no setor a médio e longo prazos. “Nós já estávamos negociando eventos para o próximo ano, mas, agora, estamos extremamente preocupados. Acho que o atual equipamento não tem mais condições de recuperação. A questão é que, para a construção de um novo, se leva pelo menos dois anos e desde que os recursos estejam garantidos”, comentou Sílvio Pessoa, presidente da Federação Baiana de Hospedagem e Alimentação (FeBHA).

Segundo Pessoa, a estimativa é de, nos próximos meses uma queda em torno de 30% de ocupação nos hotéis na baixa estação. “Será pago um preço por não se ter feito uma manutenção preventiva e corretiva nos últimos 10 anos. Menos mal que foi uma tragédia que não teve vítimas fatais. Os responsáveis têm de ser apurados”, cobrou Pessoa.

NOVO CENTRO
O governador Rui Costa  anunciou, em outras ocasiões, a possibilidade de construção de um novo Centro de Convenções na região do Comércio. O projeto está em desenvolvimento pelo Estado.  Já Luiz Augusto Leão entende que o terreno do atual equipamento pode ser  sede de um equipamento ainda mais moderno. “Principalmente pelas questões de logística. Lá é o local ideal para essa reconstrução, por já termos essa cultura, estarmos adaptados. O que temos que ter agora é atitude e fazer com que a Bahia não demore a se projetar novamente no cenário nacional”, assinalou.

FONTE NOVA
Previsto para ser reaberto no próximo dia 15 de outubro, o Centro receberia, a partir do dia 2 de novembro, um congresso internacional de odontologia. O evento – que deve receber em torno de 8 mil pessoas –, acabou sendo transferido para a Arena Fonte Nova, de acordo com a organização. 

“A Fonte Nova é o nosso plano B, mas  se torna pequeno, por exemplo. Para grandes eventos e não resolve nossos problemas. O turismo de negócios é importante, pois regula a ocupação durante a baixa temporada e serve como válvula de escape para que a economia volte a funcionar. Com essa tragédia, a construção de um novo centro deve ser imediata”, apontou.

Apesar de preferir se manifestar sobre a construção ou não de um novo centro após a conclusão da perícia a ser realizada, o presidente da Associação Baiana da Indústria Hoteleira (Abih-BA), Glicério Lemos, também lamentou o ocorrido. 

“Que o governo tome providencias urgentes e faça o que tem que ser feito”, disse o representante da ABIH. “Precisamos ter um equipamento que concorra em igualdade com outros centros como Fortaleza, Recife e João Pessoa. Sem dúvida é um impacto negativo grande e que reflete até mesmo internacionalmente. Não podemos esperar muito tempo”.

Equipamento será liberada à perícia a partir de hoje

Em comunicado divulgado no último sábado, a Secretaria de Comunicação dEstado (Secom) informou que o Corpo de Bombeiros realizou, naquele mesmo dia, um processo de análise de risco de parte da estrutura do Centro de Convenções da Bahia que cedeu. Os militares utilizaram um drone para filmar – sem risco para o efetivo – as áreas comprometidas. A parte danificada será liberada para perícia 72h após a ocorrência (neste caso, na noite de hoje), quando estará garantida a estabilidade da estrutura. 

O procedimento foi coordenado pelo comandante-geral do CBM, coronel Francisco Telles, e acompanhado pelo secretário estadual de Turismo, José Alves, por peritos do Departamento de Polícia Técnica (DPT), integrantes de instituições de Defesa Civil, além de engenheiros e arquitetos das empresas responsáveis pelas obras no centro. Em seguida o grupo se reuniu na sala de crise do Centro de Operações e Inteligência da Secretaria da Segurança Pública, no Centro Administrativo da Bahia.

“Nosso trabalho está sendo realizado por etapas. Ontem, fizemos o atendimento das vítimas com total êxito”, afirmou Telles, acrescentando que os dois militares do Batalhão Especializado em Policiamento Turístico (Beptur), que tiveram ferimentos leves, foram atendidos e liberados pouco tempo depois. Ele destacou também que o cordão de isolamento no entorno do centro ficará por tempo indeterminado garantindo a segurança dos moradores daquela localidade.

MP
De acordo com a promotora Rita Tourinho, do Ministério Público, o órgão já havia notificado a Secretaria de Turismo do estado (Setur) por conta da realização das obras. Ela cita, inclusive, o engenheiro Carlos Strauss, que fez o projeto inicial do Centro de Convenções. “Ele, todos os anos, é quem fazia a revisão do local, mas nos últimos 10 anos, não foi convocado para fazer o serviço. Da última vez, no entanto, ele concluiu que as obras não seriam suficientes para a abertura do espaço, entendendo que obras estruturais deveriam ser realizadas”, contou.


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