Torcedores saem às ruas e transformam o silêncio em triste homenagem

30 de novembro de 2016

O Dia

– Tragédia marcou eternamente a cidade de Chapecó, em Santa Catarina –

Santa Catarina – Nas ruas de Chapecó, os minutos de silêncio se acumulam no relógio e custam a passar. O entorno da Arena Condá, estádio conhecido pelo barulho das arquibancadas e pressão contra os adversários, era só tristeza. Antes ansiosos pela tão sonhada final da Copa Sul-Americana, os torcedores da Chapecoense fizeram vigília no local desde as primeiras horas da manhã.

A cada notícia, centenas de pessoas chegavam para deixar cartazes, flores e fazer orações. Foram as últimas homenagens a um elenco que, mesmo sem ter disputado a final da competição, já tinha feito história. E que história!

Marcelo Markus Teixeira, de 37 anos, morador de Chapecó e torcedor do clube, destacou o silêncio nas ruas. “Saí pela manhã para trabalhar, moro no Centro de Chapecó. Em uma terça-feira, às 8h30, essa parte da cidade já deveria estar agitada. Mas não. Parece mais um feriado, as pessoas não falam nada, não se olham, e vejo muitas camisas da Chapecoense nas ruas”, contou o advogado, torcedor do Vasco, mas frequentador assíduo das arquibancadas da arena.

FOTOGALERIA:Tragédia vitimou jogadores e comissão técnica da Chapecoense

O município, que tem pouco mais de 200 mil habitantes, foi atingindo diretamente pela tragédia. Os familiares, que chegavam à Arena Condá em busca de mais informações, recebiam o carinho e a solidariedade dos torcedores. “Um amigo me avisou pelas redes sociais, visualizei assim que acordei. O pai de um grande amigo meu estava no avião, era conselheiro do clube, foi muito duro”, admitiu Marcelo.

O prefeito de Chapecó, Luciano Buligon, estaria no voo que levou o time a Medellín, mas precisou adiar a viagem por conta de compromissos particulares. “Por essas coisas da vida, que só Deus explica, eu acabei ficando. Estava previsto eu estar junto, inclusive estou na lista da aeronave, mas tive um compromisso com os prefeitos eleitos aqui em São Paulo e acabei ficando.”

Abalado, Buligon suspendeu as aulas na rede municipal, decretou luto de 30 dias e cancelou as festividades de Natal e Ano Novo em Chapecó.

Matéria de Yuri Eiras e Antônio Júnior

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