Thiago Lacerda interpreta Ciro, sujeito de caráter duvidoso, em ‘A Lei do Amor’

Gabriel Sobreira

– O fato de rotular um personagem ou mesmo seu intérprete é algo que nada tem a ver com Lacerda –

Rio – Depois de interpretar um herói nacional, Tiradentes, na minissérie ‘Liberdade, Liberdade’, Thiago Lacerda volta à TV como Ciro Noronha, um homem de caráter duvidoso em ‘A Lei do Amor’, novela das 21h, que estreia dia 3 de outubro na Globo.

“Nunca me preocupei se as pessoas me acham bonito ou feio, bom ator ou mau ator. Sempre procurei fazer meu trabalho da melhor maneira possível. E o que eu sinto dessa molecada é isso, eles não estão nem cagando para o que as pessoas pensam. Eles querem contar as histórias deles, fazer os trabalhos deles. Acho que esse é um belo caminho”, frisa o ator, sobre a geração de jovens atores (Maurício Destri, Chay Suede e Isabelle Drummond, entre outros), que está no prólogo de cinco capítulos da trama.

O fato de rotular um personagem, ou mesmo seu intérprete, é algo que nada tem a ver com Lacerda. Casado há 15 anos com a atriz Vanessa Lóes e pai de três crianças (Gael, de 8 anos, Cora, de 5 e Pilar, de 1), Thiago acredita que isso é limitar o que cada um pode oferecer. “Somos brasileiros. Vivemos em um país de terceiro mundo capitalista, que tem uma cultura muito específica, que sofre com um nível de educação constrangedor, e nossa história é preconceituosa. A gente vive em um país preconceituoso, homofóbico, machista. E a gente sabe disso. Não dá para negar. Negar isso é um desserviço com a própria luta contra o preconceito, machismo, homofobia. Temos que entender isso. Achar que preconceito não existe é um discurso tolo. Achar que vai acabar de uma hora para outra sem investir em educação, sem transformar as gerações que estão vindo, é muito tolo também”, defende. “Uma das maneiras de lidar com o preconceito é passar por cima dele”, completa.

Aos 38 anos, Thiago Lacerda contracenará com duas atrizes que estrearam em produções com ele como par romântico: Camila Morgado (‘A Casa das Sete Mulheres’, em 2003) e Grazi Massafera (‘Páginas da Vida’, em 2006). “Acho a Camila uma atriz deslumbrante, muito singular. Uma grande colega, divertidíssima. Gravar com a Camila é um barato. O casamento entre nossos personagens é certamente por interesse, por pena, prazer, talvez tenha sexo ali”, palpita. 

Em relação a Grazi, que interpretará Luciene, uma deslumbrada sexy, eles também terão bastante cenas juntos. “Acompanhei de perto o sofrimento da menina querendo vencer, querendo o lugarzinho dela. Tem um carisma avassalador. E batalhou pra caraca, muito para fazer ‘Verdades Secretas’, e agora esse trabalho lindo. Discutir se a Grazi é bonita ou se é gostosa me parece dar linha para a pipa errada. Ela está em um caminho muito interessante como atriz, a origem dela, a maneira como apareceu. E o carisma dela, que ninguém ensina na academia, ou você tem ou não tem”, elogia.

Na novela de Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari, Ciro (Maurício Destri no prólogo/Thiago Lacerda) começa como um rapaz de origem humilde, mas muito misterioso. De olho em uma oportunidade, faz amizade com os herdeiros da rica família Leitão e passa a namorar uma delas, Vitória (Sophia Abrahão/Camila Morgado). Aos poucos, ganha influência entre o clã e, com muito trabalho, ascende social e profissionalmente. Mas ele nunca está satisfeito. Aliás, é um homem muito infeliz. Para ficar com a ricaça, ele abre mão da namorada da época de vacas magras: Yara (Bruna Moleiro/Emanuelle Araújo).

No fundo, ele se arrepende de ter deixado de lado a vida simples que tinha em nome do status que ainda não lhe satisfaz. É um clássico personagem ambíguo. Só que o ator prefere não rotular o papel como vilão. “O que é interessante para mim é imaginar que o Ciro era um cara legal, um menino talentoso, um garoto inteligente, que em algum momento fez escolhas que o levaram para um lugar do qual ele não consegue mais voltar. Isso é muito mais interessante do que imaginar ele como um cara escroto, cara mau. Tenho tentado me distanciar um pouco dessa ideia do vilão. É muito mais uma vítima de si mesmo, mas claro que ele não é flor que se cheire”, frisa. 


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