STF determina afastamento de Aécio Neves do Senado

18 de maio de 2017

Supremo também autorizou buscas no gabinete do senador tucano, mas ainda deve decidir sobre pedido de prisão

POR JAILTON DE CARVALHO E CRISTIANE JUNGBLUT

Operação da Polícia Federal faz buscas e apreensão na casa de Aécio Neves do de procurador da República, Ângelo Vilella. Na foto, agente na casa do procurador na Asa Norte. – Jorge William / O Globo

BRASÍLIA – O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou nesta quinta-feira o afastamento do senador Aécio Neves (PSDB-MG), além de autorizar buscas em endereços ligados ao tucano, que teve o pedido de prisão feito pelo procurador-geral Rodrigo Janot negado pelo ministro relator da Lava-Jato no STF Edson Fachin, cuja atribuição deve ser levada ao plenário. Não há, no entanto, garantia de ele será analisado hoje uma vez que três ministros estão fora. Também foi pedida a prisão do deputado Rocha Loures (PMDB-PR).

A cúpula do Senado e o senador tucanoi já receberam oficialmente o despacho do ministro Fachin de determinar o afastamento do senador do mandato.

O advogado-geral do Senado, Alberto Cascais, acompanha a ação no gabinete do senador do PSDB. Cascais foi designado pelo presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), depois que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu que o Senado designasse uma pessoa para acompanhar os mandados nos gabinetes.

A Polícia Federal (PF) chegou logo nas primeiras horas da manhã a diferentes endereços ligados ao senador, presidente nacional do PSDB. A operação se estende ainda aos gabinetes no Congresso do próprio Aécio Neves, Zeze Perella e Rocha Loures e à residência de Andréa Neves, irmã do senador. Os imóveis de Aécio são localizados no Lago Sul, em Brasília; em Ipanema, no Rio de Janeiro; e em Anchieta (MG). Ele também tem uma fazenda no município de Cláudio, no interior de Minas.

A PF apreendeu um celular, um tablet e documentos na casa do Aécio no Lago Sul, em Brasília. O senador teria dito que o celular era novo, sem uso, mas os policiais levaram mesmo assim.

No despacho, o ministro Edson Fachin ordena a prisão de Andrea Neves da Cunha, Frederico Pacheco de Medeiros e Mendherson Souza Lima. Segundo o documento, o cumprimento deve ocorrer com a “máxima discrição e com a menor ostensividade”.

O ministro relator da Lava-Jato também cita uma frase em latim: “Iuris praecepta sunt haec: honeste vivere, alterum non laedere, suum cuique tribuere” (Tradução: Esses são os preceitos do direito: viver honestamente, não causar dano a outrem e dar a cada um o que é seu”).

Mandado de prisão de Andrea – Reprodução
Mandado de prisão de Andrea – Reprodução

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