Sete centrais sindicais organizam greve geral em Santa Catarina nesta sexta-feira

Contra as reformas trabalhista e Previdenciária, trabalhadores prometem cruzar os braços nesta sexta-feira. Movimento tem adesão de escolas particulares e Confederação Nacional dos Bispos

Contra as reformas trabalhista e Previdenciária, trabalhadores de diferentes segmentos da sociedade prometem cruzar os braços nesta sexta-feira (28) em Santa Catarina. A greve geral organizada pelas sete centrais sindicais do Estado pretende deixar marcado na história este dia de mobilização nacional. A promessa é de paralisação dos bancários, dos eletricitários, dos aeroviários, dos servidores do judiciário, dos comerciários e dos serviços públicos de saúde, educação e limpeza. O sindicato dos trabalhadores do transporte coletivo decidirá às 22h desta quinta se participará. Durante toda a quinta-feira (27), sindicalistas distribuíram panfletos e o GTO (Grupo Teatro de Oprimidos) fez uma intervenção em frente ao Ticen (Terminal de Integração do Centro), em Florianópolis chamando para o movimento.

No Centro de Florianópolis alguns grupos panfletaram e realizaram ações durante a quinta-feira - Daniel Queiroz/ND
No Centro de Florianópolis alguns grupos panfletaram e realizaram ações durante a quinta-feira – Daniel Queiroz/ND

O objetivo é interromper a produção de demonstrar a insatisfação da população perante às reformas propostas pelo presidente Michel Temer (PMDB). “Querem rasgar a CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas) com a reforma do trabalho com emendas que saíram dos gabinetes das confederações nacionais da indústria e do comércio. Estão legislando apenas para o capital. O trabalhador deve cruzar os braços pela dignidade do trabalho, pelo direito à aposentadoria e contra as terceirizações”, destaca a presidente da CUT-SC, Anna Julia Rodrigues.

Para evitar a retirada dos direitos trabalhistas e de mudar as regras previdenciárias, as centrais sindicais farão uma manifestação no Centro da Capital. A concentração está prevista para as 11h, na praça entre o Ticen e o Terminal Cidade de Florianópolis. Também haverá outras mobilizações pela cidade.

Na tentativa de chamar a atenção da população, a psicóloga Doris Furini encenou uma intervenção na Avenida Paulo Fontes na tarde de quinta-feira. Com o rosto pintado e o nariz de palhaço, a psicóloga chamava a atenção para um colega deitado, que representava um trabalhador que morreu sem conseguir a aposentadoria. “Nossa intenção é fortalecer a participação ativa da população na luta dos direitos sociais”, esclarece Doris.

Movimento consegue a adesão de escolas particulares 

A greve geral conseguiu o apoio de alguns colégios. Três escolas particulares de Florianópolis manifestaram apoio ao movimento: Colégio Catarinense, Educandário Imaculada Conceição e Escola Autonomia. Já o Sinepe (Sindicato das Escolas Particulares de Santa Catarina) é contrário a greve geral.

Para a presidente da CUT-SC, Anna Julia Rodrigues, a adesão das escolas particulares fortalece o movimento. “Queremos deixar o dia 28 de abril marcado na história do Brasil como um dia de luta pelos direitos do trabalhador. Estamos recebendo apoio de classes que, historicamente não paralisam as atividades, como as escolas particulares”, comemorou.

Em nota oficial, a Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição, que administra o Educandário Imaculada Conceição, afirmou que é contra interesses de determinados grupos políticos que querem apenas assegurar o seu bem estar. “Consideramos que a PEC 287 é um retrocesso para a história do país e nossa missão é somar forças com a classe trabalhadora dizendo não a este atraso”, esclarece um trecho da nota.

Em contrapartida, o diretor executivo do Sinepe, Osmar dos Santos, confirmou que o sindicato é contrário à manifestação. “Apenas uma minoria das escolas particulares vai aderir ao movimento. O sindicato tomou uma posição contrária por entender de que se trata de um movimento político partidário. Também pelo compromisso que as escolas têm com as famílias dos alunos, mas respeitamos as decisões de cada colégio”, comentou.

Já a Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina) informou que as aulas e o expediente serão mantidos nesta sexta-feira (28), mesmo com a adesão à greve geral da Aprudesc (Associação dos Professores da Udesc) e do Sintudesc (Sindicato dos Técnicos da Udesc). A recomendação é de que os professores flexibilizem as atividades e não façam avaliações.

Para CNBB, reforma da Previdência é retrocesso dos direitos sociais

A igreja católica por meio da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) também aderiu ao movimento de greve geral nesta sexta-feira (28) em todo o Brasil. Por meio de uma nota, a CNBB manifestou apreensão com relação ao projeto de reforma da Previdência em tramitação no Congresso Nacional.

“A previdência não é uma concessão governamental ou um privilégio. Os direitos sociais no Brasil foram conquistados com intensa participação democrática; qualquer ameaça a eles merece imediato repúdio”, salientam os bispos.

O documento da igreja destaca que o governo federal argumenta que há um déficit previdenciário, justificativa questionada por entidades, parlamentares e até contestadas levando em consideração informações divulgadas por outros órgãos governamentais. Neste sentido, os bispos afirmam não ser possível “encaminhar solução de assunto tão complexo com informações inseguras, desencontradas e contraditórias”.

A aposentada Angela Maria Franz, 59, confirmou presença nas manifestações programadas no Centro de Florianópolis. “Mesmo estando aposentada, não posso concordar com a redução dos direitos dos trabalhadores. Querem aumentar o prazo de contribuição Previdenciária, além de mudarem as legislações trabalhistas. Como sempre é o povo pagando a conta pela má gestão dos nossos governantes”, lamenta a moradora de São José.

Sexta-feira

9h Tenda da Frente Brasil Popular, em frente à Catedral

11h Concentração geral, na Praça do Sintraturb, ao lado do Ticen

12h Concentração estudantil na UFSC e caminhada até o centro

14h Concentração dos servidores públicos municipais, na praça Tancredo Neves

16h Servidores públicos municipais realizam ato contra a retirada de direitos

Ao longo do dia, servidores do Judiciário Federal se concentram no prédio da Justiça Federal, na avenida Beira-Mar Norte

Setores afetados

Assistência Social: Creas municipal

Educação: creches municipais, escolas públicas municipais e estaduais, IFSC e UFSC

Judiciário: Servidores de esferas estadual e federal

Saúde: UPAs de Florianópolis e serviços estaduais

Serviços: coleta de lixo em Florianópolis, Casan, INSS,  bancos e aeroportos

Transporte coletivo: decide na quinta-feira à noite

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