Servidores da UFBA deflagrarão greve

Mobilizados contra o corte de verbas na educação, os técnicos-administrativos da Universidade Federal da Bahia (Ufba) fecharam o portão principal da instituição no Campus de Ondina, na manhã de ontem. O ato deu início à paralisação da categoria contra as medidas propostas recentemente pelo Governo Federal, em especial à PEC 241, que impõe teto dos gastos públicos pelos próximos 20 anos.

A manifestação reuniu os profissionais para a entrega de panfletos e divulgaçã de informações sobre as medidas que têm sido tomadas pelo governo e suas consequências. De acordo com o coordenador do Sindicato dos Trabalhadores Técnico-Administrativos em Educação das Universidades Públicas Federais no Estado da Bahia (Assufba), Paulo Vaz, a greve dos servidores será deflagrada hoje, e englobará todas as universidades federais do estado.

Segundo Vaz, que também é coordenador administrativo da Federação dos Sindicatos de Trabalhadores Técnicos-Administrativos em Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil (Fasubra), já foram cortados 25% das verbas de custeio, fruto de contingenciamento já feito no ano passado, e haverá um novo corte de 9% para ser aplicado no próximo ano, totalizando uma perda de 34% do orçamento da instituição.

“Investimentos para concurso público, expansão universitária, contratação de novos trabalhadores, novos docentes, ampliação de vaga para os estudantes, tudo isso está comprometido. Não vai existir”, explicou Vaz, que também denunciou os problemas de estrutura que irão atingir as instituições, e que serão sentidas a curto prazo pelos estudantes e trabalhadores.

“Do papel higiênico e da água, até o material de alta tecnologia dos laboratórios, tudo estará em falta. Se teremos congelamento salarial, teremos falta de investimento nas condições de trabalho. As universidades já passam por problemas de segurança, limpeza, com a redução dos terceirizados. Já acontece isso, e a previsão é de que dentro de vinte anos, seja reduzido ao máximo”, alarmou.

Atividades essenciais para o funcionamento de unidades como o Hospital das Clínicas não deverão ser interrompidas, mas, com o passar dos próximos dias, outras atividades de cunho administrativo, como o que é realizado nas bibliotecas, secretarias, dentre outras, provavelmente já serão sentidas pelos alunos. Segundo o coordenador da Assufba, não há como ter, nesse momento, uma ideia de quantos servidores irão aderir à paralisação.  

MOVIMENTO
A greve, segundo Vaz, é nacional e já envolve 52 institutos federais e 13 universidades. Nesse primeiro momento, o movimento tenta impedir a aprovação e aplicação da medida. O processo de tramitação ou não da PEC, no Congresso Nacional, deve durar até o final de novembro. Até lá, a movimento grevista deve continuar forte nas instituições de ensino. No caso de insucesso com a mobilização, as centrais sindicais vão novamente se unir e avaliar de que forma continuará se opondo a medida.

No estado, a suspensão das atividades também envolve os técnicos-administrativos da Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB), Universidade Federal do Oeste Baiano (UFOB), Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), e a Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab). 


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