Rosamaria Murtinho: 'Amor no coração é muito importante'

O Dia

– Lilian Rodriguez entrevistou a atriz Rosamaria Murtinho –

Rio – Para iluminar o nosso sábado, convidamos a animadíssima Rosamaria Murtinho. Casada com Mauro Mendonça, mãe de três filhos homens, avó de quatro netos, está prestes a estrear um novo filme dirigido pela neta, Vitória. 

LILI: Rosa, quais foram as maiores alegrias durante a sua carreira?
ROSA: A primeira foi quando eu descobri que gostava de representar. Fui sem querer, meio levada a fazer isso. Entrei porque meu irmão fazia o Teatro Amador, em Ipanema. O Paulo Francis e o Ivan Lessa faziam parte também. Uma das moças ficou doente e o Francis disse ao meu irmão para me escalar.

E quando você, finalmente, descobriu que queria ser atriz?
Foi quando eu fazia Teatro Oficina, com o diretor José Celso Martinez Corrêa. Naquela época, já estava fazendo coisas sérias. Fazia o curso de teatro e percebi que aquilo era uma coisa importante para passar para as pessoas. Mostrar o que estava acontecendo e, ao mesmo tempo, diverti-las.

Você já passou por alguma saia justa no palco?
Já, muitas vezes. Eu estava fazendo um espetáculo, em Cabo Frio. E aí baixou uma “parede branca”, e eu não sabia o que fazer. Esse negócio de “deu branco” existe mesmo! E olha que eu fazia esse espetáculo há três anos. A outra atriz que fazia a peça comigo, em vez de prosseguir com a fala dela, ficou olhando para mim com os olhos esbugalhados. E ficou tudo em silêncio.

O que você fez?
Eu olhei para o público e disse: “Vocês me desculpem, eu esqueci o texto”. Aí, eu fui ao camarim, reli o texto e, na volta, falei: “Atenção, me lembrei agora porque eu fui ler. Gravando!” O pessoal riu muito e a peça seguiu.

Como você enfrenta a idade?
Eu acho difícil ser velha, mas não acho ruim. O ruim é se aproximar da morte porque eu sou contra a morte. Eu acho chato não estar aqui no ano 3.000! (risos) É chato ser tratado como inútil e criança, sabe? Fazem aquela voz doce falando: “Ela está de blusinha azul hoje!” É difícil dizer para as pessoas que você não é uma criança.

Você e o Mauro se conheceram e casaram logo?
Como sempre, meu irmão me colocou numa peça, já que a outra atriz estava doente. O Silveira Sampaio me escalou para ‘Rua São Luiz 27 — Oitavo Andar’. Estavam na plateia os atores, Fernanda Montenegro, Nathalia Timberg, Sergio Britto e o Mauro Mendonça. O Raul Cortez disse: “Acho que Mauro vai namorar essa garota”. Dito e feito. Primeiro, ele não me deu muita bola, mas fiquei na minha. Fizemos uma peça no Rio, ficamos noivos e casamos na igrejinha do Tablado.

O que você faz pra ser tão dinâmica?
Eu não malho em academia. A peça ‘A Doroteia’ tem cerca de uma hora e meia. São 100 páginas e eu tenho 380 falas. Me preparo assim: ainda na cama, eu faço um alongamento e faço cinco minutos de ginástica, eu mesma, no meu quarto. E eu moro num lugar que é Mata Atlântica, o ar é muito bom. Então, eu faço uma respiração especial que usa muito os pulmões.

Você tem uma novidade para o ano que vem?
Vou fazer uma novela na Globo e também ‘A Doroteia’, agora em São Paulo. A filha do Mauro, Vitória, que fez cinema na PUC, mestrado na França e estava trabalhando na Inglaterra, voltou agora para o Brasil e me convidou para trabalhar num filme. Deus me deixou viva pra ver isso. Que coisa maravilhosa! Vamos filmar em novembro. Este ano, eu e o Mauro faremos 60 anos de carreira e teremos um filme sobre nossa carreira. Vai sair no fim do ano.

Você e Mauro ficaram separados durante um tempo. Como foi o retorno?
A gente foi conversando. O Mauro sempre foi muito correto. Foi ele quem saiu de casa. Teve um dia que ele voltou e eu aceitei numa boa. A gente teve uma conversa, disse que a casa era dele. Houve uma volta com muita alegria e humor para poder conviver, algo que é muito difícil.

Um beijo?
Um beijo grandão para toda a família, com uma boca enorme — que eu não tenho, que raiva disso!


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