Roberto Muylaert: Procura-se um estadista

31 de agosto de 2016

O Dia

– Que falta faz um Getúlio Vargas, um Juscelino Kubitschek –

Na segunda-feira, a sensação ao fim de mais de 12 horas de questões para Dilma foi de desalento. Reconheça-se que a presidente fez grande esforço físico e mental para aguentar a maratona, demonstrando mais uma vez que uma das qualidades essenciais para o político é a saúde. Ela saiu-se bem, mostrando insuspeitado conhecimento de causa para governar, embora não aplicado na prática.
Como ponto alto do encontro, a civilidade com que os diálogos foram mantidos. A repetitiva discussão sobre os desacertos fiscais de sua administração não era importante, perto da enxurrada de considerações negativas que poderiam ter sido feitas sobre a passagem do PT pelo poder.

Assume agora um grupo cuja principal capacidade é fazer política, pouco para consertar o país.

Que falta faz um estadista no comando do Brasil, como Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek. Um presidente que perceba a grandeza de seu papel, na missão de melhorar as condições de vida da população. Feito bem maior do que congelar dólares na Suíça, medidos por quilômetros de metrô, ou hospitais não construídos.

Um fator não discutido nas intermináveis falas de segunda-feira é o ideológico, presente nas decisões do PT. Conceitos velhos, atrasados, ultrapassados, mas que nortearam as ações de Dilma, a partir dos ideólogos furados que a cercam.

Não é possível que um governo de uma república constitucional de ‘livre iniciativa’ demonize quem produz e paga impostos, em nome de um suposto combate ao ‘andar de cima’. Não é possível, também, que se fale numa reforma agrária destrutiva, anacrônica, tipo MST, quando a pujante agroindústria brasileira tem condições de incluir os excluídos via cooperativas, desde que o governo enxergue isso.

Em nome também dessa falsa opção de esquerda que leva ao atraso, o governo que agora sai de cena privilegiou os acordos internacionais com a Venezuela, Bolívia e Cuba, para não se “submeter a Tio Sam”.

A outra variável dessa equação, não tratada na arguição à presidente, é a cleptocracia do PT, que surge quando o poder parece absoluto, sem amarras nem reservas, a partir de uma estrutura contaminada de alto a baixo.

Não por acaso, a carreira de seus principais líderes termina na cadeia.

Roberto Muylaert é editor e jornalista

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