Resultados do Programa Centelha surpreendem coordenadores do projeto

Completado um ano da publicação de suas diretrizes no Diário Oficial da União, o Programa Nacional de Apoio à Geração de Empreendimentos Inovadores, mais conhecido como Programa Centelha, coordenado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), superou as expectativas do governo federal e de seus apoiadores.

“Temos tido resultados bem expressivos”, disse Vitor Dias Kappel, que trabalha na área de centralização da Finep. “Tem superado qualquer expectativa ou magnitude. Nunca tivemos um programa em uma escala dessa, tão expressivo. Está indo muito além. Todos os estados têm feito um desempenho invejável, com exceção de Pernambuco”, disse. “Vemos com muitos bons olhos os resultados alcançados”, acrescentou.

Vitor Kappel conversou com a reportagem da Agência Brasil, durante o evento Innovation Summit, que ocorreu esta semana na cidade de Florianópolis. Até este momento, segundo ele, 4.811 participantes se cadastraram para participar do programa, com 2.434 ideias inovadoras iniciadas e 2.013 submetidas.

“Mas o importante não são só as quantidades, embora tenhamos batido recordes, mas a qualidade das propostas [apresentadas]. Cerca de 50% [dos inscritos] de todos os estados são [de projetos] oriundos de pessoas que fazem mestrado ou doutorado. Então, temos um insumo material e capital intelectual de altíssima notoriedade e na expertise que a gente acredita que seja um diferencial competitivo para essas empresas de porte de base tecnológica”, disse.

Os projetos, segundo Kappel, são de várias áreas e setores. “Eles vão desde tecnologia da informação, biotecnologia, energia e petróleo, passando por áreas transversais como tecnologia social. A maior parte continua sendo de tecnologia da informação, saúde e bem estar”.

Este ano, o programa entrou na fase de abertura de editais pelos 21 estados cadastrados no Centelha. Nem todos os estados participam porque a decisão em aderir ao Centelha cabe a cada um, explicou Kappel. Até então, o programa priorizou as ações de planejamento e de treinamento das equipes dos estados participantes.

“A partir disso, começamos a lançar, este ano, os editais. Já lançamos sete editais, dos quais um já foi fechado, que é o do Rio Grande do Sul. E temos mais sete para serem lançados na primeira quinzena de setembro. Achamos que até o final do ano conseguiremos vencer esse desafio na totalidade e chegar a cerca de 20 mil empreendedores capacitados”, disse Kappel.

O programa

O programa tem como meta transformar ideias inovadoras em projetos de mercado. Nesse sentido, oferece capacitação, recursos financeiros e suporte aos empreendedores, e é realizado em parceria com os governos estaduais, principalmente por meio das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisas. A ideia é aproveitar as cerca de 80 mil teses de dissertação que são produzidas anualmente no Brasil e ajudá-las a chegar ao mercado.

O coordenador de Ambientes Inovadores do MCTIC e coordenador do Programa Centelha, Públio Ribeiro, disse que o Centelha busca estimular o empreendedorismo inovador, fazendo com que ideias inovadoras de estudantes e pesquisadores se transformem em negócios e empreendimentos inovadores e de sucesso. “Para isso vamos dar recursos financeiros, na forma de subvenção econômica, capacitação online e presencial, monitoria, além de suporte para esses empreendedores transformarem suas ideias em novos negócios e novos produtos e em empresas de sucesso”,

Podem participar do Centelha pessoas físicas ou empresas com até um ano de existência, com faturamento bruto anual de até R$ 4,8 milhões, e que tenham ideias de novos produtos ou processos de empresas inovadoras. “Os editais são lançados pelas fundações estaduais de amparo à pesquisa. Se acessar a página do programa na internet, vai encontrar os links para os editais. Podem concorrer estudantes, pesquisadores, empreendedores. Enfim, qualquer pessoa que tenha uma boa ideia”, disse Ribeiro.

“O interessado vai acessar o edital do programa, que está na internet, e vai submeter a proposta na plataforma do programa. Tudo é feito pela internet. Ele vai se inscrever no programa e, ao fazer isso, ele já vai ter acesso a uma série de conteúdos de capacitação e de como submeter uma boa ideia inovadora para o programa”, explicou.

Ribeiro tem a expectativa do Centelha atingir pelo menos mil ideias em cada um dos 21 estados. Desse total, 200 empreendedores serão selecionados para uma segunda etapa, quando haverá novo processo seletivo. “Passa-se então para um segundo filtro e, finalmente, os 100 melhores irão para uma terceira etapa, que é detalhar o que se vai fazer com o recurso de subvenção, qual o projeto que será desenvolvido durante o período de tempo da incubação”.

A meta é capacitar 20 mil empreendedores na primeira rodada e criar 588 novas startups no Brasil. O total de investimentos nessa primeira fase soma R$ 39,2 milhões. “Como no processo são três fases, a gente espera que, em fevereiro ou março do ano que vem, boa parte dos projetos sejam contemplados, virem empresas e já comecem a receber os recursos”, explicou Kappel.

O apoio financeiro do MCTIC e das agências federais de fomento se dá por meio do repasse de recursos de subvenção econômica e da concessão de bolsas para o desenvolvimento dos projetos. “Estamos dando recursos federais para apoiar pelo menos 28 empreendedores em cada estado, mas as fundações de amparo podem complementar esse recurso”, disse Ribeiro.

Centelha 2

Segundo Kappel, há a intenção de se criar uma nova fase do programa, o Centelha 2. “Temos trabalhado para isso. Isso é um desafio diante da escassez de recursos e contingenciamento. Mas temos nos articulado, mas esperamos que no ano que vem já tenha o Centelha 2. Este é o objetivo”, afirmou.

 

*A repórter viajou a convite da organização do evento Innovation Summit

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