Renan e Jucá se enfrentam em plenário por comando do PMDB

24 de maio de 2017

Os dois maiores caciques do PMDB no Senado se confrontaram no plenário para medir forças no partido. O líder da bancada no Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que tem criticado o governo, e o presidente do PMDB, Romero Jucá (PMDB-RR), aliado de Michel Temer, se estranharam em discursos na tribuna.

Tudo começou quando Renan discursou contra a decisão de Temer de assinar um decreto autorizando o uso das Forças Armadas contra as manifestações que aconteciam na Esplanada dos Ministérios. "Beira a insensatez fazer isso num momento em que o País pega fogo. Beira a irresponsabilidade. E fazer isso de forma dissimulada, dizendo que foi a pedido do presidente da Câmara dos Deputados", afirmou Renan.

O senador ainda ironizou a crise institucional vivida pelo governo. "Se o governo Michel Temer não se sustenta, não são as Forças Armadas que vão segurar."

Mas logo o discurso do peemedebista mirou nas tentativas do presidente de afastá-lo da liderança no PMDB no Senado, onde tem trabalhado praticamente na oposição ao governo. "O presidente Michel Temer pode destituir a senadora Rose de Freitas da liderança do governo, que é o âmbito dele. Mas o presidente não pode destituir o líder do PMDB, porque essa é uma decisão da bancada", afirmou.

Mais cedo, Temer se reuniu com a bancada do PMDB no Palácio do Planalto, onde senadores discutiram a destituição de Renan do cargo de líder do partido no Senado. No plenário, o senador Waldemir Moka (PMDB-MS) pediu a palavra para fazer elogios ao governo, quando Renan o chamou de "puxa saco". "O senhor há muito tempo não fala pela liderança do PMDB", retrucou Moka a Renan.

Em seguida, foi a vez de Jucá subir à tribuna. O senador foi taxativo. "Ninguém está autorizado a subir na tribuna para dizer que o PMDB não apoia o presidente Michel Temer. Eu sou o presidente do PMDB e eu me reuni com a bancada e o presidente hoje. A posição individual não pode superar a decisão coletiva", afirmou.

Ainda alfinetando Renan, Jucá afirmou que o PMDB vai trabalhar respeitando a posição da maioria e, enquanto for presidente do PMDB, ninguém vai vencer no grito.

Jucá defendeu a escolha do presidente de convocar as Forças Armadas para conter o protesto e afirmou que a decisão foi com o intuito de impedir um "bando de marginais que botavam fogo em ministério". O peemedebista também defendeu as reformas do governo. "Quem quiser se candidatar a presidente, reze para aprovarmos essas reformas, porque ninguém governa esse país em 2019 sem essas reformas", disse.

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