Regina Vitória de Araujo Abdo Valle: Afeto para desmistificar câncer

O Dia

– Compreender a questão da comunicação do diagnóstico é de suma importância para um cuidado mais humanizado e integral –

Há dez anos, foi criado no Hospital Federal Cardoso Fontes, unidade do Ministério da Saúde, o grupo Amigas do Peito, que tem como principal missão o acolhimento e enfrentamento das emoções de pacientes que sofrem ou sofreram alguma intervenção cirúrgica em decorrência do câncer de mama. A ideia de formar o grupo surgiu quando observamos que as pacientes que passaram por algum procedimento cirúrgico não tinham vontade de olhar os seios durante o curativo.

Além de trocar informações sobre a doença, o Amigas do Peito funciona como uma psicoterapia, criando uma rede de sustentação emocional para atenuar a elaboração de perdas e a resolução de conflitos na vida das pacientes mastectomizadas.

Neste contexto, precisamos ressaltar a importância da comunicação da doença ao paciente com câncer. Ao longo da história da humanidade, as pessoas parecem fazer uma busca incessante pelo prolongamento da vida e por um estado de bem-estar cada vez maior. O câncer traz em si a forte representação de uma ameaça à vida, tanto no paciente quanto nos sujeitos que compartilham dessa vivência com a pessoa acometida pela doença.

Ao descobrir o câncer, surgem medos e ansiedade diante da possibilidade da morte. Compreender a questão da comunicação do diagnóstico é de suma importância para um cuidado mais humanizado e integral dos pacientes.

Um processo de comunicação bem estruturado faz com que o sentimento de abandono, tão presente nos pacientes e seus familiares, possa ser minimizado ou mesmo extinto. Não devemos nos esquecer de dar atenção também às diferenças culturais e à necessidade de que o paciente perceba que o crescimento como pessoa pode se dar mesmo diante da doença, pois ter esperança é algo instintivo e benéfico ao ser humano. Isso o auxilia na busca de melhores condições de enfrentamento, mesmo nas situações adversas.

O paciente precisa acreditar que, mesmo com o diagnóstico inesperado, ele pode e precisa se readaptar, modificando hábitos e costumes. Daí a necessidade de um atendimento interdisciplinar, com nutrição, fisioterapia e a intervenção psicológica. Esta abordagem múltipla se torna primordial, pois contribui para que o paciente reveja e estabeleça suas próprias definições sobre a vida.

Regina Vitória de Araujo Abdo Valle é psicóloga


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