Produtores de leite do Oeste se qualificam para buscar mercado exterior

Produtores de leite do Oeste se qualificam para buscar mercado exterior
<p>De olho no planejamento do Estado para começar a exportar leite nos próximos anos, o produtor Nilsom Rosalem convenceu a filha mais velha e o genro a ficarem na propriedade, refez as contas e decidiu com a família investir mais no setor. Ele sabe que apesar de a demanda internacional e o maior consumo dependerem de esforço técnico e da vontade política, a ponta mais importante do novo passo recai sobre ele e os outros 60 mil produtores de leite espalhados em Santa Catarina.</p><p>A família de Nilsom tem 60 bovinos na propriedade na Linha Tiradentes, em Pinhalzinho, a 55 quilômetros de <strong>Chapecó</strong> . Trinta deles são vacas holandesas que produzem 600 litros de leite por dia, 18 mil por mês. A propriedade de 24 hectares é uma das que estão em procedimento na região para viabilizar a certificação de propriedade livre de brucelose e tuberculose, requisitos sanitários exigidos para exportação. O Estado já é livre da febre aftosa sem vacinação.</p><p>Na região, assistida pela Cooperativa Regional Itaipu, são 38 propriedades com certificação sanitária entre as mais de duas mil que produzem.</p><p>– Parece pouco, mas é a região do Estado com maior número de (propriedades) certificados, conforme nos apresentou relatório da Cidasc (Companhia Integrada para o Desenvolvimento da Agropecuária) – argumenta o engenheiro agrônomo e responsável pela área de bovinos de leite da Itaipu, André Balestrini.</p><p>Os poucos certificados têm explicação. A primeira é que não há lei que obrigue a certificação para venda de leite e de carne bovina no mercado interno, apenas uma instrução normativa federal (62), publicada em 29 de dezembro de 2011 e em vigor desde 2016 para controle das duas doenças sanitárias.</p><p>Segundo a normativa, todo produtor de leite deveria ter certificação de propriedade livre de brucelose e tuberculose bovina, além de respeitar os limites de células somáticas e bacterianas que influenciam na qualidade do leite. Porém, a própria Embrapa atesta que nem todos os produtores seguem a normativa, por não ter força de lei. Quem segue, ganha a mais por litro de leite acima do padrão, uma forma de os laticínios exigirem qualidade e incentivarem o produtor a agregar valor ao produto.</p><p><strong>Exames e controle de doenças sanitárias</strong></p><p>O outro porém está no preço e na burocracia dos exames. Para obter o certificado de área livre de brucelose e tuberculose, o produtor precisa fazer dois exames em cada animal, ao custo aproximado de R$ 20 por cabeça. O exame de sangue vai identificar se o bovino tem brucelose e o teste de sensibilidade, se está com a bactéria causadora da tuberculose.</p><p>Em caso de positivo para as doenças, o animal deve ser descartado para abate sanitário.</p><p>– Já tivemos produtores que descartaram todo o rebanho. Um animal transmitiu para o outro e contaminou todos – ressalta o engenheiro André. Ele defende que a certificação de área livre das doenças também deve ser exigida para gado de corte, não só de leite, já que as doenças sanitárias podem atingir a todos, sem distinção de raça.</p><p>Para certificação, a propriedade precisa fazer dois exames num intervalo de seis meses. Depois, o exame passa a ser anual, valendo o atestado pelo mesmo prazo.</p><p>Outro aspecto que está sendo levado muito a sério pelo produtor Nilson, além da certificação, é o controle diário da qualidade do leite, principalmente a contagem de células somáticas e bacterianas. As primeiras não podem ultrapassar 400 mil/ml e as outras 100 mil/ml. Na propriedade dele, ambas não passam de 20 mil/ml.</p><p>– Temos sempre que melhorar a qualidade, até porque é também uma garantia de melhora no preço. Se conseguirmos exportar, com certeza vão nos pagar mais – projeta.</p><p>Além da sanidade do rebanho, o Estado precisa investir em melhoramento genético e superar a ineficiência logística que tem na situação precária das rodovias um dos maiores entraves.</p><p><strong>Investimentos para competir</strong></p><p>Para aumentar a renda e a produtividade dos animais, a família de Nilsom Rosalem estipulou metas ousadas e investimentos maiores na produção e na qualidade do leite. A busca é por competitividade.</p><p>O primeiro investimento é no novo sistema de manejo e alimentação dos animais: o compost barn, sistema que prevê o confinamento dos animais em barracões forrados de maravalha ou serragem, tendo a silagem, o feno e a ração como alimentos. O sistema que custará R$ 140 mil, é baseado no bem-estar animal e promete aumentar a produção de três a cinco litros por vaca.</p><p>- Aumenta porque a vaca não vai precisar se deslocar para se alimentar como fazia no pasto. Sem se locomover, a vaca come de 30% a 40% menos, porém tendo menos desgaste físico de locomoção, ela aumentará a produção – explica o engenheiro André.</p><p>A meta da família Rosalem é confinar 50 animais, aumentando em 40% o rebanho e 100% a produção em um ano e meio. Com isso, os atuais 18 mil litros por mês se tornariam 40 mil.</p><p>Hoje, a família tem na atividade leiteira o principal sustendo de três gerações que moram na casa. É claro que o preço do litro de leite ainda não agrada: R$ 1,11 o litro, somando as bonificações de qualidade do leite.</p><p>- Estamos investindo, prevendo a melhora no preços, porque hoje o custo é alto para manter a produção. De cada R$ 1,11 são R$ 0,90 para custos. Sobram só R$ 0,21 para investir.</p><p>- O preço ruim é devido à alta importação, o aumento da produção e a queda no consumo no país. Neste cenário, a exportação se torna a válvula de escape. Porém, por enquanto, o produtor está investindo sem saber quanto vai receber (a mais pela exportação) – analisa André.</p><p><strong>Produção em alta</strong></p><p>* O leite já é o terceiro item mais importante na composição do Valor Bruto de Produção (VBP) – o total pago aos agricultores – da agropecuária estadual, atrás de aves e suínos. Em 2017, respondeu por R$ 3,5 bilhões do resultado de R$ 29,6 bilhões, conforme a Epagri.</p><p>* Em 2016, Santa Catarina se tornou o quarto maior produtor do país ao ultrapassar Goiás, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Nos últimos 10 anos, Santa Catarina saltou de 1,7 bilhão de litros produzidos para 3,1 bilhão.</p><p>* A maior parte da produção catarinense (77%) se concentra no Oeste. Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul lideram o ranking no país.</p><p><strong>Números do leite no Estado</strong></p><p>R$ 3,5 bilhões comercializados em 2017<br>3,1 bilhão de litros produzidos em 10 anos<br>77% da produção está no Oeste<br>60 mil produtores<br>Quarto maior produtor do país</p><p><strong>Produção família Rosalem<br></strong>24 hectares de área total<br>9 hectares de pastagem<br>30 vacas em produção<br>600 litros de leite por dia<br>18 mil litros por mês<br>Investimento de R$ 140 mil em sistema de pastagem<br>Faturamento de R$ 1,11 ao litro de leite</p><p><strong>Desafios para exportação<br></strong>Melhoramento genético<br>Sanidade do rebanho<br>Eficiência logística</p><p><br></p><!– contentFrom:cms –>

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