Primeira infância é a época de ouro na formação da inteligência, diz estudo

31 de agosto de 2016

Quando a criança nasce, uma boa parte do cérebro já está formada: nascemos com reflexos e capacidades prontos para nos ajudar a sobreviver e a aprender várias habilidades – algumas das quais se desenvolvem nos primeiros momentos e dias de vida. Mas o desenvolvimento cognitivo ainda é muito limitado ao nascer.

Já possuímos quase todos os bilhões neurônios com os quais iremos viver e morrer.  No entanto, menos de 40% das conexões entre os neurônios estão formadas, inclusive as conexões responsáveis pelo desenvolvimento cognitivo. E os neurônios ainda não foram recobertos pela camada de mielina, que afeta a velocidade de transmissão das mensagens e a sua eficiência.

No nível mais básico, o desenvolvimento dos neurônios e das conexões depende de um elevado consumo de glicose, fornecida pelos alimentos que absorvemos. Dois exemplos ilustram a importância da alimentação dos neurônios.

No caso negativo: as crianças que sofrem infecções durante a gravidez ou nos primeiros meses e anos de vida mobilizam muito da energia gerada pelas proteínas para lidar com as infecções, e isso está associado a um menor desenvolvimento das conexões cerebrais – e, consequentemente, da Inteligência e do QI.

No lado positivo: há fortes comprovações de que o leite materno fornece ao bebê os anticorpos que o protegem de infecções que, se ocorrerem, retardam o desenvolvimento cerebral, por competirem com a energia necessária para o cérebro. O leite materno por si só não aumenta a inteligência. Ele permite que o cérebro se proteja contra ameaças e se desenvolva em condições normais.

Mas isso ainda não explica tudo: o desenvolvimento da inteligência é de base genética, transmitido pelos genes.  Mas, como também ocorre com outros genes, os genes responsáveis pela inteligência são fortemente afetados por aquilo que acontece no ambiente, pelos estímulos que a criança recebe e pela forma como interage com eles.

Estudos feitos com gêmeos criados juntos ou separados, ou que se separam mais tarde na vida, permitem entender melhor a força, previsibilidade, limites e modificabilidade dessas conexões.  Outros estudos feitos com membros da mesma família também mostram forte correlação: as diferenças entre irmãos pode chegar a até 12 pontos de QI, mas raramente passa disso, exceto no caso de desvios – raros – para os extremos da curva.

A palavra mágica se chama “plasticidade cerebral”. Na época da formação do cérebro – a Primeira Infância – a plasticidade é maior pois o cérebro ainda está se formando. É nessa época que existe maior possibilidade de efeitos positivos de uma influência externa. Estímulos adequados influem não apenas no funcionamento, mas na própria “arquitetura” do cérebro, o que pode contribuir para sua maior eficiência. O mesmo ocorre do lado negativo: a falta de estímulos, estímulos perniciosos ou inadequados, trarão efeitos negativos para a arquitetura, a estrutura e o funcionamento cerebral.

Embora a plasticidade persista ao longo da vida, há períodos em que os circuitos formados, ou em formação, são mais susceptíveis à experiência. Um exemplo simples de entender é o da aprendizagem da língua materna e a capacidade de discriminar os sons dessa língua. Nos primeiros meses de vida a consciência fonológica se torna aguçada, permitindo à criança captar as mínimas nuanças da fala de sua língua materna – ou mais de uma. A partir dos 11 a 12 meses de idade essa acuidade diminui sensivelmente, tanto para a percepção quanto para a emissão de alguns fonemas – o que se traduz mais tarde na dificuldade de aprendizagem de línguas estrangeiras e de eliminar o sotaque.

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