Praia registra 836 afogamentos em 2016

Com a proximidade do verão – faltam menos de dois meses para a estação mais esperada pelos baianos – e as altas temperaturas que o acompanham, cresce o número de banhistas nas praias da capital em busca de se refrescar com um banho de mar aproveitando as belezas naturais que a estadia a beira mar proporciona. Contudo, se os devidos cuidados não forem tomados, um dia de diversão pode se transformar em tragédia.

De acordo com informações da Coordenadoria de Salvamento Marítimo da Prefeitura de Salvador (Salvamar), até o último dia 10 de outubro foram registradas 836 ocorrências entre as praias de Jardim de Alah e Ipitanga – cuja vigilância é de responsabilidade do órgão – sendo 36 apenas neste mês. A maioria delas por afogamento. Já as demais praias da capital estão sob responsabilidade do Grupamento Marítimo do Corpo de Bombeiros (GMAR).

Nesse mesmo período, ocorreram três mortes. Uma delas no dia 25 de junho, na praia de Piatã, considerada uma das mais perigosas, ao lado do Jardim de Alah, do Farol de Itapuã e de Praia do Flamengo, por contas das fortes ondas e de pedras. “As pessoas, infelizmente, são um pouco descuidadas e pensam que essas coisas nunca vão acontecer com elas, apenas com os outros”, disse o chefe do Setor de Treinamento do Salvamar, Rui Silva. Já as praias da Rua K, em Itapuã, e Placaford estão entre as mais tranqüilas.

Segundo ele, a maioria dos acidentados é de adolescentes e pessoas que fazem ingestão de bebidas alcoólicas antes de entrar no mar, sem contar os turistas que adentram as águas sem conhecer o local direito. “O que a gente conscientiza a população e que é imprescindível que se busque uma praia que tenha salva-vidas para a prática do banho, pois o mesmo é o único que pode identificar onde existem valas e correntes que mudam constantemente de lugar”, relatou Silva.

Além desta, outras recomendações são as de que, na hora do banho, a água fique, no máximo, até a linha da cintura e o banhista evite fazer a ingestão de bebidas alcoólicas ou alimentos pesados que possam atrapalhar a locomoção. “Vale salientar que se você ver alguém se afogando, não tente fazer o resgate, pois você pode se tornar mais uma vítima”, alertou. Caso não tenha o profissional especializado no local, o telefone para entrar em contato com o Salvamar é o 3363-5333.

Outra desatenção comum por parte dos banhistas, conforme aponta o chefe de treinamento do Salvamar, é com relação à sinalização nas praias. Segundo ele, mesmo com o salva-vidas colocando em determinado local um aviso de perigo é normal que as pessoas acabem entrando na água justamente onde está a informação. Enquanto a bandeira amarela indica que há a presença de um salva-vidas no local, a bandeira vermelha indica o perigo que existe na maré e o risco ao tentar se aventurar nela.

Atualmente, a estrutura do Salvamar conta com 266 colaboradores, sendo que entre 80 e 100 estão nas praias de responsabilidade deles durante a semana e, nos fins de semana, esse número sobe para até 115. Para o verão, a expectativa é a de que esse efetivo seja reforçado. No trecho entre o Jardim de Alah até Ipitanga, existem, em média, 35 postos de salva-vidas por semana. 

Aos sábados e domingos esse número chega a 43. Além do material humano, o grupo conta com duas motos aquáticas e bote salva-vidas que são colocados nos postos com maior número de ocorrências. Para o atendimento mais imediato, os homens contam com nadadeiras, rescue tube (também conhecidos como salsichões) e pranchas.

CRIANÇAS
Com relação aos pequenos, todo o cuidado é pouco, principalmente diante da curiosidade e da animação que ficam ao chegar à areia da praia. “Vira e mexe ocorre o caso de elas se perderem e, de certa forma, acaba se tornando um transtorno pra gente, por que poderíamos estar ajudando a um colega atendendo a um afogamento ao invés de estarmos procurando os pais da criança. Teve um caso mesmo em que pais estavam em Piatã, mas a criança só foi achada na Boca do Rio”, relatou Rui Silva. Para facilitar a identificação em caso de perda, a dica é a de que as crianças usem sungas ou maiôs com cores chamativas, além de terem pulseiras informando, por exemplo, o número de telefone dos responsáveis.
 


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