Polícia analisa vídeos para desvendar morte de Marcos Falcon

Bruna Fantti

– Polícia vai chamar presidente da Mocidade para interrogatório devido a uma briga entre os dois em 2015. Crime passional ou político não são descartados –

Rio – Policiais da Delegacia de Homicídios da Capital (DH) recolheram 11 vídeos diferentes de câmeras de segurança na tarde de ontem, nas redondezas do comitê eleitoral onde Marcos Vieira de Souza, 52 anos, o Falcon, foi morto segunda-feira. “Vamos analisar as imagens para saber o trajeto feito pelos criminosos e tentar identificá-los”, afirmou o delegado Brenno Carnavale, assistente da DH.

A polícia não descarta nenhuma hipótese para o crime. Uma das possibilidades é a de que brigas passadas de Falcon podem ter motivado o crime. Uma delas teria ocorrido em 2015, com o presidente da Mocidade Independete de Padre Miguel, o contraventor Rogério de Andrade, que deverá ser chamado para interrogatório.

Falcon era policial militar e estava licenciado para se candidatar a vereador pelo Partido Progressista, era o presidente da Portela. Ele foi morto a tiros de fuzil no seu comitê de campanha. De acordo com Carnavale, nenhuma hipótese está descartada para o crime.

A única certeza é que se tratou de uma execução. “Estamos checando a vida dele como presidente da agremiação, desavenças, a vida de policial militar, possíveis casos extraconjugais. Tudo para saber a motivação”, disse. Crime político também não está descartado.

A perícia preliminar do local foi concluída ontem e apontou que pelo menos 15 disparos foram feitos na direção de Falcon. Quatro deles o teriam atingido provocando ferimentos na cabeça e em um dos braços.

A ameaça que Falcon registrou na 29ªDP (Madureira), em 2015, e que na época a coluna de Leo Dias revelou, foi arquivada pelo 15º Juizado Especial Criminal porque ele não compareceu à audiência de conciliação, marcada para junho. No processo, o juiz mandou incluir nos autos um pendrive em que supostamente existe provas dessa ameaça. Esse arquivo será avaliado agora pelos policiais que investigam a morte de Falcon.

A polícia suspeita que os atiradores usaram máscaras para, além de não serem filmados, não serem reconhecidos no comitê. Isso porque, os investigadores acreditam que os criminososo conheciam a rotina da vítima e até poderiam conhecê-lo. No local do crime, moradores comentavam o ocorrido. Três homens que faziam obras no prédio ao lado, na hora do crime, disseram ter escutado os tiros. “Parecia Iraque. Ouvimos gritos e muito tiro. Nos escondemos juntos no banheiro”,contou um pedreiro.

Homenagem planejada após o luto

Com o tema ‘Foi um rio que passou em minha vida e meu coração se deixou levar’, a apresentação da Portela no desfile de 2017 já está desenhada. “Nas últimas semanas, apresentei praticamente o projeto todo ao Falcon, e ele ria, se divertia. Com certeza a gente vai fazer esse trabalho para a Portela disputar o Carnaval pensando nele”, disse o carnavalesco Paulo Barros.

Segundo o carnavalesco, é “um momento muito difícil” porque ele e Falcon se aproximaram muito desde que ele passou a atuar na escola.

Em fase de disputa de samba-enredo, a Portela teve a eliminatória do processo cancelada em razão do luto pela morte do presidente. Depois do dia 6, quando findam os dez dias de luto na escola, a diretoria começará a planejar a homenagem que será feita a Falcon no desfile. “Vamos ver se a gente dá para ele o gosto de a Portela ser campeã, como ele queria e pelo que tanto lutava”, afirmou a diretora do Departamento Feminino da escola, Aldaleia Rosa Negra da Portela.

Gestão trouxe Portela de volta ao Desfile das Campeãs

Quando assumiu a vice-presidência da Portela em maio de 2013 na chapa liderada por Serginho Procópio, Marcos Falcon e sua equipe encontraram meses de salários atrasados, não recolhimento de FGTS e do INSS dos funcionários e uma dívida de R$ 16 milhões. Três anos depois, em maio de 2016, com a dívida reduzida a R$ 960 mil, o grupo se reelegeu mas, dessa vez, com Marcos Falcon como presidente. Ele contou com apoio de portelenses ilustres como Tia Surica, Monarco e Vilma Nascimento.

“Pegamos uma escola afundada em dívidas. Não tínhamos noção dos estragos deixados pelo nosso antecessor”, disse Falcon, em entrevista ao DIA, em julho, se referindo a Nilo Figueiredo e seu grupo, que acabaram expulsos da escola quando a nova gestão assumiu. Os resultados no Carnaval também melhoraram após uma década turbulenta e, nos últimos três anos, a Portela chegou entre as cinco primeiras escolas.

Com Martha Imenes e Luiza Sansão


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