Pirajá e Barros Reis têm ar mais poluído; leia mais

De acordo com a Cetrel, os bairros de Pirajá e Barros Reis são os que apresentam os maiores índices de poluentes na capital, com necessidade da adoção de medidas de controle ou criação de políticas públicas que possibilitem melhorar a qualidade de vida da população nesses locais. 

Os dados para esses dois bairros, segundo o gerente de Monitoramento, Eduardo Fontoura, “ultrapassam a metade dos valores de referência utilizados para avaliação do ar que está sendo respirado pela população”. No caso de Pirajá, “o aumento da concentração de poluentes decorre da grande circulação de veículos e, sobretudo, da influência do tráfego na BR-324”.

As estações de monitoramento da qualidade do ar instaladas em 2010 em nove locais de Salvador, a partir de convênios firmados com a Prefeitura e o Governo do Estado, ainda permanecem ligadas, mas estão completamente sem função, na medida em que os dados deixaram de ser apurados de forma sistemática e compartilhados junto às secretarias estaduais de Saúde, do Meio Ambiente e a Municipal Cidade Sustentável, com o fim dos convênios há exatamente um ano. 

A iniciativa de instalação dos equipamentos, que funcionam também como estações meteorológicas, e todo o custo investido – cerca de R$ 8 milhões – foram da Cetrel-Central de Tratamento de Efluentes Líquidos do Polo Petroquímico de Camaçari, sem ônus para o poder público. Os convênios tinham prazo de duração por cinco anos e não foram renovados pelas duas instâncias governamentais. Os equipamentos demonstram estar sem manutenção.

Fontoura fez ver que a “exposição continuada aos poluentes é o principal fator gerador de manifestações de infecções das vias respiratórias”. Com relação aos malefícios causados pelo “material inalado”, disse que “quanto menores as partículas que se propagam no ar, maiores as possibilidades de atingir as vias respiratórias inferiores e alcançar os pulmões”. Fontoura enfatizou que “qualidade do ar é uma questão de saúde pública”. 

As nove estações de monitoramento da qualidade do ar estão instaladas, além dos dois locais mencionados, nas avenidas Lucaia (Rio Vermelho), Paralela, Antonio Carlos Magalhães (próximo ao Detran), Itaigara, Campo Grande, Dique do Tororó e no Largo dos Mares. Esta última, ainda segundo Eduardo Fontoura, “sofreu ação de vândalos e foi removida para manutenção. Também foi recolhida a estação móvel, que era deslocada para regiões da cidade sempre que havia demanda crítica das comunidades sobre a qualidade do ar”. 

VEÍCULOS
De acordo com o gerente de Monitoramento da Qualidade do Ar, “a maioria dos poluentes em Salvador é proveniente das emissões dos veículos automotores (carros, ônibus, caminhões, etc)”. Fontoura ressaltou o fato da capital ser litorânea, “com ótima ventilação na Orla e na Costa Atlântica, o que ajuda na dispersão dos poluentes na atmosfera”. Acentuou, também, o aspecto de a cidade “não dispor de indústrias de grande porte e que os equipamentos permanecem ligados e possibilitam monitoramento em tempo real. Antes, a disponibilização dos dados era atualizada no site da empresa a cada hora e encaminhados aos órgãos públicos e à imprensa para informação à população”, o que deixou de ser feito com o fim dos convênios. 

Conforme o gerente de Monitoramento da Cetrel, “instalamos em Salvador o que há de mais moderno em t tecnologia para mensurar a qualidade do ar e realizar diversos fatores envolvendo variáveis meteorológicas. Na capital baiana dispomos da mesma tecnologia utilizada em Paris. No Nordeste, apenas Salvador dispõe dessas estações. São Paulo tem 45, em todo o estado. No Rio são 21; Belo Horizonte, apenas 3; Vitória tem 5, por conta da presença da Vale do Rio Doce, e em Curitiba a rede está parada por falta de manutenção”. 

A Cetrel opera com monitoramento da qualidade do ar, em Camaçari, desde 1994. A proposta da empresa para reativar os convênios é de R$ 12 milhões, por cinco anos. Segundo Eduardo Fontoura, o preço de mercado é de R$ 8 milhões por ano. Ele ressaltou que não está sendo cobrado o que já foi investido. De todo modo, fez questão de assegurar que “se decidirmos pela retirada das estações não haverá retorno”. O Inema-Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, a Sema-Secretaria Estadual do Meio Ambiente e a Secis-Secretaria Municipal Cidade Sustentável não responderam às demandas encaminhadas pela reportagem.


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