Peça mistura gastronomia e teatro

12 de novembro de 2016

Três homens entram em cena preparando um jantar a ser servido em cumplicidade com a plateia. A ação concreta: cozinhar. Teatro e Gastronomia. Cena e prato. Corpo e comida. O pecado capital mais saboroso está no palco: a gula.

Esse é Menu, espetáculo dirigido pelo “chef de cuisinie” Thiago Romero, fundador do Teatro da Queda e integrante da Cia NATA. No espetáculo, a partir de 18 de novembro até 11 de dezembro, no Teatro Gregório de Mattos, às 19h,  fica evidente que são muitas e belas as faces do desejo de comer e de ser servido.

Em cena, os “sous chefs” (atores) Luiz Antônio Sena Jr., Mauricio Pedreira e Breno Fernandes que “reveza as facas de corte” com Douglas Oliveira.

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O espetáculo convoca o público a uma experiência cênica que mistura teatro, performance e gastronomia para refletir sobre a erotização do corpo, os arrochos da mídia, as gavetas sexuais e os tabus sócio-político-familiares.

Cada ator cria um prato – uma entrada, um prato principal e uma sobremesa – e expõem-se no instante real, preparando um menu que servido a plateia embaralha os sentidos e a lógica da degustação: dos olhos à boca, o caminho nem sempre é direto.

Menu questiona: “Que fruta eu seria?”; “Que alimento estamos comendo?”; “Que sabores estamos degustando?”; “Qual o preço podemos pagar pelo prato comido?”. 

Enquanto preparam o mise em place, os atores fazem reflexões entre a humanidade e a comida, passando por formas de produção, aquisição, consumo e distribuição de diversos alimentos. Em determinado momento, trazem à tona os perigos da produção industrializada de alimentos.

A comida é o ponto central e se ramificaria em vários outros temas. “Chegamos na Gula, na fome, em temas como a hipersexualização do corpo, o desejo sobre o outro, as máscaras sociais. Criamos uma mesa cheia de ingredientes e territórios de invento”, completa Thiago Romero.

Idealizador do espetáculo, o ator, produtor e diretor da A Outra Companhia de Teatro, Luiz Antônio Sena Jr., declara que há algum tempo vinha com uma inquietação: a cozinha como espaço de encontro e reserva para tratar de assuntos mesmo que indigestos. “Entre o prato servido e o ato de comer, o corpo como alimento para gula que é atiçada pela máxima do olho que come”, realça Luiz Antônio.

De acordo com Daniel Arcades, dramaturgo do espetáculo, a comida é o caminho perturbador para a alquimia dos delitos e deleites vitais. “O tempo inteiro, a comunicação permeia os questionamentos diante do sentido da fome e a inserção do mercado alimentício na moda, arte e do sexo”, acrescenta.

Anote

Dias: 18 de novembro até 11 de dezembro (sexta, sábado e domingo), às 19h
Local: Teatro Gregório de Matos 
Ingresso: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia)

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