Partido que era braço político do ETA fica em 2º lugar nas eleições da Irlanda

O partido nacionalista Sinn Fein, de esquerda, se tornou a segunda maior formação política no parlamento irlandês, de acordo com o resultado final das eleições legislativas realizadas no fim de semana.

Segundo a contagem dos votos encerrada na madrugada desta terça-feira (11, noite de segunda no Brasil), o Sinn Fein conseguiu 37 das 160 cadeiras no Dail, a câmara baixa do parlamento irlandês, com dois representantes a mais do que o Fine Gael, do primeiro-ministro Leo Varadkar, enquanto o Fianna Fail (de centro-direita), ficou com 38.

Mary Lou McDonald, líder do Sinn Fein, em Dublin – Ben Stansall – 9.fev.2020/AFP

Mary Lou McDonald, líder do partido que milita pela reunificação da República Irlanda com a província britânica da Irlanda do Norte, tem grandes chances de ser a próxima premiê do país. Ex-braço político do ETA, a legenda tenta formar governo com apoio de partidos menores.

Este resultado pode representar a possibilidade real de queda do primeiro-ministro. O grande perdedor das eleições foi o Fine Gael de Varadkar. O premiê viu sua popularidade cair à medida que o acesso à habitação e aos serviços públicos de saúde foram ficaram mais difíceis no país.

As eleições na Irlanda ocorreram apenas uma semana após a saída britânica da União Europeia, cujas consequências afetam especialmente a vizinha Irlanda e seus 4,9 milhões de habitantes.

McDonald pediu apoio à União Europeia para seu projeto de reunificar a Irlanda. “A UE deve posicionar-se sobre a Irlanda da mesma forma que apoiou a reunificação da Alemanha e que tem uma visão positiva sobre a reunificação da Chipre”, afirmou McDonald à BBC.

Um acordo de paz selado em 1998, entre católicos e protestantes, estabelece que a reunificação precisaria ser aprovada por referendo nas duas partes da ilha, em uma votação autorizada pelo governo do Reino Unido, em Londres.

Como a maioria dos norte-irlandeses votou contra o brexit, a ideia pode ter apoio na região. A Irlanda segue como parte da União Europeia, mas a Irlanda do Norte não. Como ficaria a fronteira entre as duas regiões foi um dos principais entraves da saída do Reino Unido da UE.

A ilha esteve sob controle britânico completo até 1921, quando uma guerra de independência levou ao surgimento da Irlanda como país independente e de maioria católica, com capital em Dublin. No entanto, a Irlanda do Norte, de maioria protestante, seguiu ligada a Londres.