Parentes de Marielle e Anderson dizem que prisões são "pontapé"

A prisão dos dois suspeitos pela morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes aliviou, um pouco, a dor das famílias de ambos. Durante entrevista coletiva no Ministério Público (MP), nesta terça-feira (12), eles disseram que vão ficar mais tranquilos, mas ainda querem saber o que motivou os assassinatos.

“Com a prisão dos dois suspeitos, diminui um pouco a nossa angústia. A minha, principalmente, porque eu ficava imaginando que nunca iam conseguir chegar a um motivo, por menor que fosse, para que tivesse acontecido os assassinatos da Marielle e do Anderson. Eu sempre me perguntava o que Marielle fez para merecer tamanha injustiça. Se ela era defensora dos direitos humanos, ela não estava cometendo nenhum crime. Eu não conseguia mensurar nenhum fato, nenhum motivo, para que ela tivesse sido assassinada”, disse o pai da vereadora, Antônio Francisco da Silva.

A irmã dela, Anielle Franco, disse que a dor pela perda continua afetando a todos. “É óbvio que é importante saber quem mandou matar, mas hoje foi um passo grande. A gente espera descobrir de fato se tem mandante. Vou dormir mais tranquila no dia em que a gente tiver a família junta de novo. Até lá, é um vazio, uma dor, que não tem como. A gente segue por ela [Marielle], mas dói muito”, desabafou.

Também presente à coletiva, a viúva de Anderson, Ághata Reis, reconheceu que o caso foi um marco no Rio de Janeiro. “O que aconteceu foi muito maior do que a gente poderia imaginar. É realmente um divisor de águas. A prisão desses dois é só um começo, um pontapé. Tem muita coisa ainda para ser descoberta, para que a gente ponha um ponto final no nosso sofrimento. Queremos descobrir o mais rápido se houve um mandante”, disse Ághata.

O ex-sargento da PM Ronnie Lessa foi preso ainda de madrugada, quando se preparava para sair de casa em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, mesma situação do também ex-PM Elcio Vieira de Queiroz, que mora no bairro Engenho de Dentro, na zona norte. Em conversa informal com integrantes da força-tarefa, ele contou que havia sido avisado sobre a operação.

A pormotora Simone Sibílio disse que, até o momento, as investigações mostram que o crime pode ter sido motivado pela repulsa de Ronnie às causas que eram defendidas por Marielle, o que também é conhecido como crimes de ódio. 

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