Pais e alunos do Pedro II fazem ato e dão abraço coletivo na unidade do Centro

Gabriela Mattos

– Quatro filiais da escolas já estão ocupadas. Estudantes protestam contra a PEC 241, que congela os gastos públicos por 20 anos –

Rio – Pais e alunos do Colégio Pedro II fizeram um ato e deram um abraço coletivo no prédio da escola, no Centro do Rio, na tarde desta sexta-feira. Até o momento, quatro unidades da instituição já estão ocupadas: Realengo, Engenho Novo, São Cristóvão e, desde esta quarta-feira, a do Centro. Os jovens protestam contra medidas do presidente Michel Temer (PMDB), como a reforma no Ensino Médio e a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241, que prevê o congelamento dos gastos públicos por 20 anos.

Na última terça-feira, a direção do Pedro II havia informado que “as direções são contrárias à ocupação” e as aulas estavam suspensas em Realengo, Engenho Novo e São Cristóvão. No entanto, até a publicação desta reportagem, o colégio não deu um posicionamento oficial sobre a ocupação no Centro e o protesto.

Por meio das redes sociais, estudantes, professores e ex-alunos apoiam o movimento dentro das escolas. Eles criaram a hashtag #EuDefendooCPII, que reúne relatos com experiências no colégio. “Vocês nos enchem de orgulho”, afirmou um deles. “A manifestação de hoje [sexta-feira] foi muito emocionante”, controu outra internauta.

Polêmicas no Pedro II

Recentemente, o Pedro II foi criticado por abolir a distinção do uniforme escolar por gênero. No mês passado, o reitor Oscar Halac havia afirmado que “a escola não deve estar desvinculada de seu tempo e momento histórico”.

No início deste mês, o procurador da República Fábio Moraes de Aragão determinou que as unidades de Realengo e Humaitá retirassem os cartazes contra Temer. Caso a medida não fosse cumprida, os diretores responderiam por improbidade administrativa e crime de prevaricação.

Na última sexta-feira, a unidade II de São Cristóvão também esteve no centro de uma polêmica. Um vídeo que circulou nas redes sociais mostra faixas com frases em defesa do “proletariado”, do “marxismo” e da “revolução do povo” no pátio de entrada do colégio e no estacionamento.

“Uma escola não pode se posicionar dessa forma”, disse o pai de um aluno de 12 anos do CP II, que não se identificou. O reitor, no entanto, em nota, diz que os cartazes faziam parte de um seminário de responsabilidade de um grupo de estudos ligado à UFF, UNIR e UFPE e que o colégio só cedeu o teatro. Segundo nota da reitoria, o seminário era de responsabilidade do Grupo de Investigação sobre Subdesenvolvimento e Atraso Social. As faixas já foram retiradas.


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