Pai suspeito de matar a filha é preso em hospital psiquiátrico na Zona Sul

Bruna Fantti e Luiza Sansão

– Ele teve a prisão decretada pela Justiça. Marina Luz Borges foi achada morta na casa dos avós paternos, no domingo, na Tijuca –

Rio – A Delegacia de Homicídios (DH-Capital) prendeu, na noite desta segunda-feira, o pai da menina Marina Luz Borges Alves, em um hospital psiquiátrico da Zona Sul. Ele é o principal suspeito da morte da criança, encontrada morta na casa dos avós paternos, no domingo.  Vinícius da Silva Alves, 34 anos, teve a prisão decretada pela Justiça.

“Saudades eternas dos tios, dos primos, da mamãe, da ‘voinha’ e do Fui Fui”. A mensagem estava em uma das coroas de flores depositadas em cima do caixão branco, de 1,20 metro, que guardava o pequeno corpo de Marina Luz Borges Alves, de 5 anos. A menina foi enterrada na tarde de ontem, no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap.

A criança amanheceu morta na casa dos avós paternos, no domingo, na Tijuca, com suspeita de sufocamento. O principal suspeito do crime é o próprio pai de Marina, Marcos Vinícius da Silva Alves, 34 , que está desaparecido. Até a noite de ontem, porém, ainda não havia um mandado de prisão expedido pelo Tribunal de Justiça.

As suspeitas sobre Marcos foram reforçadas por mensagens que ele enviou a amigos e familiares após o crime, pelo aplicativo de conversas Whatsapp. Embora não tenha revelado o conteúdo das mensagens enviadas, o delegado Fábio Cardoso, titular da Divisão de Homicídios (DH) da Capital, afirmou que “as comunicações indicam algo que ele tenha feito contra a própria filha”. 

O DIA apurou que pelo menos duas mensagens foram enviadas: uma para um padre e, outra, para a própria mãe da criança, Caroline Luz. Para o padre, o pai teria escrito “o motivo das discussões acabou”. Já para a mãe, a mensagem foi cruel: “Você dizia quando ela nasceu que nunca mais ficaria sozinha na vida. Estava errada”.

Caroline esteve no velório da filha, mas, muito abalada, não acompanhou o enterro. Ela foi amparada por familiares, que estavam incrédulos com o crime e não quiseram dar entrevistas.

Marcos morava com seus pais desde que se separou da mãe de Caroline, há quatro anos. Foi a avó paterna de Marina, Celi Alves, quem encontrou o corpo da menina, de pijamas, no início da manhã. Sem marcas aparentes de violência, a perícia concluiu que a morte foi por sufocamento. Exames periciais não apontaram veneno ou causa natural como causadores da morte.

“Não havia marcas de estrangulamento no pescoço fino da menina, o que indica que provavelmente a asfixia pode ter sido provocada por um travesseiro”, afirmou Cardoso. A necropsia atestou também que a criança não foi vítima de abuso sexual.

Ainda de acordo com o delegado, testemunhas afirmam que Marcos estava na casa no momento do crime, o que dispensa a necessidade de coleta de imagens de câmeras. “Ele sumiu estranhamente, algo que não acontecia, o que é mais um indicativo, além das outras informações, que indicam ele foi o responsável pela asfixia da criança”, disse. Os avós paternos da criança também estavam no apartamento, mas ninguém ouviu nada. Durante o enterro, eles não saíram do lado do caixão.

Vizinhos retalam brigas

Amigos e vizinhos comentam que havia problemas entre o pais da menina. Um vizinho relatou um episódio de briga do casal. “Às vezes tinham confusões, chegaram a colocar fogo na casa. Chamaram bombeiros, houve muita fumaça, e todo mundo na rua comentou que tinha sido uma briga entre eles”, disse. Segundo relatos de pessoas próximas à mãe, Marcos teria colocado fogo no colchão.

No Facebook, a mãe fazia posts que pareciam cobrar participação maior do ex-marido na vida da filha: “Quantos PAIS faltam ao trabalho para cuidar dos filhos enquanto a mãe trabalha? De quem é a “obrigação” não escrita, mas socialmente aceita de faltar, de abrir mão, de se prejudicar em função do cuidar?”, criticou.

Marcos Vinícius está desempregado e faz uso de medicamentos controlados por conta de problemas psiquiátricos, segundo a polícia. Parentes comentaram que o casal fazia terapia familiar com acompanhamento de uma psicóloga. “Nos últimos dias, ele teria apresentado alteração de temperamento”, disse o delegado Fábio Cardoso. A guarda da filha era compartilhada entre os dois e a relação com a ex-mulher é conflituosa, segundo testemunhas.

A prima de Marcos traçou perfil diferente do suspeito. “Ele gostava de mimar (a filha). Brigava com qualquer um por causa da Marina”, afirmou Daniele Alves. No velório, ela lembrava como ele cuidava dos cabelos da criança. “Vaidosa, gostava de usar o mesmo condicionador naqueles cachinhos.”


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