Opinião: Roberto Muylaert: pensar no Brasil saiu de moda – 3

5 de setembro de 2017

O Dia

– Iniciativa privada, nem pensar, o governo trata mal os empreendedores –

Rio – Na prática, o país entrega quase 40% do nosso esforço coletivo para o pior de todos os administradores que poderiam cuidar do nosso dinheiro: o governo. É fácil dar exemplos dessas despesas “onde não há mais nada para cortar”: a Empresa de Planejamento e Logística, criada em 2012 para administrar nosso “trem-bala”, ainda existe, com seus 180 funcionários estáveis e orçamento de cem milhões de reais. O objetivo atual é “embasar as decisões do governo sobre concessões no setor de logística”.

Delfim Netto amplia o conceito dessa elite perdulária “do funcionalismo público federal extrativista, que se empoderou de direitos muito mal adquiridos por causa do laxismo dos governos e da incrível tolerância do trabalhador que a sustenta Há uma elite burocrática privilegiada e poderosa dando as cartas E como eles foram capazes de manipular a sociedade.”

Não é à toa que a categoria de ‘concursistas’ viceja em Brasília, sendo o emprego público o objeto de desejo de jovens bem formados. Uma vez aprovados, estarão no paraíso: não é preciso se empenhar em demasia no trabalho, por não poder ser demitido; na aposentadoria, o salário é integral, nas cobranças de melhor desempenho, conta com o laxismo (como diz Delfim) de seu chefe, igualmente cheio de privilégios.

Iniciativa privada, nem pensar, o governo trata mal os empreendedores.

Com relação ao Congresso, a distorção salta à vista, conforme informa o congressista Tiririca: seu salário é de R$ 33.763; assessores e servidores, R$ 97.116,13; cota parlamentar para passagens aéreas e refeições, R$ 37.043,53; auxílio-moradia, R$ 4.253; fora as despesas médicas e odontológicas reembolsadas na rede privada. O total vai a R$ 139 mil por mês.

Com todos esses auxílios ocorreu-me a ideia de criar mais um, o ‘auxílio-propina’, regulamentando essa questão, com duas vantagens: saber com precisão o que está sendo roubado; e não precisar construir mais obras gigantescas em sociedade com a Venezuela, como a Refinaria Abreu Lima, em Pernambuco, cujo calote já foi perdoado, criando o ‘socialismo entre países’.

Calculamos em cinco mil pessoas os beneficiários do sistema de corrupção, incluindo parlamentares e diretores de estatais, não considerando o Judiciário. (Continua) 

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