Operação Delivery prende servidor da Câmara e ex-estagiária da PGR em Brasília

6 de fevereiro de 2018

Brasília - O delegado de Polícia Civil do DF, Rogério Oliveira, durante entrevista coletiva sobre a operação Delivery, contra o tráfico de drogas durante o carnaval no Distrito Federal. (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O delegado de Polícia Civil do DF Rogério Oliveira informou que há um total de 28 mandados de prisão e 35 de busca e apreensãoMarcelo Camargo/Agência Brasil

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) prendeu hoje (6) pelo menos 23 pessoas acusadas de vender drogas a servidores públicos da Esplanada dos Ministérios. Entre os presos estão o secretário parlamentar Daniel Lourival Azevedo, servidor da Câmara dos Deputados, e a ex-estagiária da Procuradoria-Geral da República Marcela Galdino da Silva. A Operação Delivery acontece após um ano de investigação que apura o tráfico de drogas na região central de Brasília.

O delegado da 5ª Delegacia de Polícia Civil Rogério Henrique de Oliveira informou que há um total de 28 mandados de prisão e 35 de busca e apreensão. Marcela Galdino da Silva, segundo o delegado,  fornecia uma espécie de consultoria jurídica ao grupo, instruindo sobre como e em que quantia a droga deveria ser transportada para que o ato não configurasse tráfico. “Ela alertava aos membros da organização sobre os entendimentos jurisprudenciais acerca do tráfico de droga”. 

O secretário parlamentar, de acordo com o delegado, é acusado de fazer uso de um dos carros empenhados na Câmara dos Deputados para transportar a droga. O parlamentar vinculado ao servidor não foi identificado pela corporação, mas não teria conhecimento do fato. “Esse carro era utilizado para aquisição da substância entorpecente. Ele mantinha contato com os traficantes e usava o carro para adquirir a substância”.

Ainda segundo o delegado, a droga fornecida pelo grupo era de alta qualidade e as pessoas que faziam uso das substâncias são de alto padrão da capital federal. A polícia já identificou entre 40 e 50 “clientes fiéis” à organização criminosa. O próximo passo da investigação é intimar todas essas pessoas para que sejam ouvidas. “Eles atuavam via telentrega. Ligavam para os membros da organização criminosa e adquiriam droga via motoboy”, explicou.

“Eles iriam receber substâncias entorpecentes para difusão ilícita no carnaval”, destacou o delegado. “É um grupo extremamente organizado”, completou, ao citar que as entregas aconteciam sempre nas imediações de ministérios e demais órgãos da Esplanada. A droga, segundo a PCDF, era proveniente da Bolívia. Os membros do grupo vão responder por tráfico e associação ao tráfico, sujeitos à pena de reclusão que pode variar de 15 a 30 anos.

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