No Galeão, Anvisa orienta companhias aéreas sobre coronavírus

Em reunião na tarde de hoje (28) no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) passou orientações sobre os procedimentos a serem adotados diante da crescente transmissão global de uma nova variante do coronavírus, batizado de 2019-nCoV. O surto, que já contabiliza 4,5 mil casos no mundo e mais de 100 mortes, teve início na China. Atualmente, são 15 países com diagnósticos confirmados, enquanto no Brasil três casos são considerados suspeitos.

Participaram do encontro representantes de companhias aéreas que atuam no Galeão, das secretarias de saúde do estado e do município, da Receita Federal e da Polícia Federal. Reuniões similares  estão programadas em outros aeroportos do país.

De acordo com a Anvisa, não há implementação de novas medidas, mas um reforço de ações que já são adotadas. “O objetivo da reunião foi sensibilizar os agentes aeroportuários sobre os procedimentos que já são contemplados no plano de contingência do aeroporto, no qual estão previstas respostas a um evento de saúde pública”, disse Viviane Vilela, coordenadora de infraestrutura e meios de transporte da Anvisa.

Segundo Viviane, as principais ações são voltadas para a disseminação de informações, de forma que os viajantes saibam quais são os sintomas – febre, tosse e dificuldade para respirar – e quais os países onde está havendo transmissão. Para tanto, o Galeão tem um sistema de alerta sonoro que está transmitindo as mensagens em português, inglês e mandarim. Também serão reforçadas as precauções de higiene: sempre lavar bem aos mãos e cobrir a boca ao tossir. Além disso, na presença de sintomas, a orientação é para se evitar grandes conglomerados.

“O viajante bem informado vai procurar o serviço médico em tempo oportuno, vai reportar que esteve em região onde houve transmissão e vai facilitar assim a resposta e a adoção de medidas adequadas”, disse Viviane. Ela ressalta que o aeroporto é um ambiente de passagem e que as ações não necessariamente impedirão a entrada do vírus no país. “A doença demora 14 dias para apresentar sintomas. A chance de se apresentar sintomas aqui no aeroporto é pequena. Então a ideia é deixar o passageiro informado sobre o que fazer caso ele venha a desenvolver no futuro esses sintomas”.

Viviane disse que a resposta é similar à adotada em outras crises como a decorrente do surto internacional da gripe H1N1 ocorrida em 2009. Segundo ela, desde 2005 o Regulamento Sanitário Internacional estabeleceu os protocolos para a resposta oportuna em casos de emergência.

Passageiros

O Galeão, de acordo com a Anvisa, é o segundo aeroporto do país que mais registra entrada de passageiros com passaporte chinês. Foram recebidos cerca de 10% desses viajantes entre novembro e dezembro de 2019. O maior volume de chineses que chegam de avião ao Brasil desembarcam pelo Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos (SP). Ele recebe aproximadamente 85% desses passageiros.

Não foram divulgados dados do volume de brasileiros e de pessoas de outras nacionalidades que chegam ao Galeão provenientes da China. Essa informação é de difícil apuração, uma vez que não há voos diretos entre o Rio de Janeiro e cidades chinesas. Dessa forma, os passageiros precisam fazer conexão e chegam à capital fluminense em voos que se originam em outros países. “O que temos são os dados por passaporte”, explicou Viviane.

De toda forma, as companhias aéreas estão sendo orientadas a manter maior atenção com voos que tem alguma conexão ou interlocução com a China. “Contamos com elas para termos mais capacidade de detecção, comunicação e resposta a um possível caso suspeito que possa chegar. Elas precisam avisar se tem alguém a bordo doente e as equipes que fazem a desinfecção da aeronave devem usar EPIs [Equipamentos de Proteção Individual]”, disse a coordenadora de infraestrutura e meios de transporte da Anvisa.

Transmissão

Os coronavírus são conhecidos desde meados dos anos 1960 e já estiveram associados a outros episódios de alerta internacional nos últimos anos. Em 2002, uma variante gerou um surto de síndrome respiratória aguda grave (Sars) que também teve início na China e atingiu mais de 8 mil pessoas. Em 2012, um novo coronavírus causou uma síndrome respiratória no Oriente Médio que foi chamada de Mers.

A atual transmissão foi identificada em 7 de janeiro. O escritório da Organização Mundial de Saúde (OMS) na China buscava respostas para casos de uma pneumonia de etiologia até então desconhecida que afetava moradores na cidade de Wuhan. No dia 11 de janeiro foi apontado um mercado de frutos do mar como o local de origem da transmissão. O espaço foi fechado pelo governo chinês.

Segundo o último boletim da OMS, há atualmente 4.593 confirmações da doença. Deste, 4.537 são na China, onde também foram registradas 106 mortes. A suspeita de um caso em Belo Horizonte, de uma brasileira que esteve em Wuhan, levou o governo brasileiro a declarar nível 2 na escala de alerta . Isso significa que há perigo iminente diante da possível presença do vírus no país, o que demanda um novo grau de vigilância. A confirmação da suspeita na capital mineira pode levar o governo a declarar nível 3, isto é, emergência na saúde pública.

Nesta tarde, mais dois casos passaram a ser considerados suspeitos. Diante da situação, o Ministério da Saúde tem desaconselhado os brasileiros a viajarem à China neste momento.


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