Missas homenageiam Cosme e Damião

A fé nos irmãos médicos –  cuja trajetória data mais de 1.700 anos – mobiliza multidões durante todo o ano, mas o dia 27 de setembro é especial para orar, agradecer e pedir novas bênçãos dos gêmeos santos. E foi assim ontem, durante todo o dia na Paróquia dos Santos Mártires, na Liberdade, principal espaço de devoção a São Cosme e Damião na capital baiana. 

Desde as 5h da manhã, centenas de pessoas se dirigiram ao santuário para as missas de celebração às divindades, como ocorre já há 75 anos. E, como acontece por todo esse tempo, mães e pais estiveram presentes para ouvir uma palavra de orientação religiosa, e distribuir doces – como é tradição para homenagear os santos – assim como demais devotos distribuíam outros utensílios de cunho religioso a exemplo das fitinhas do Senhor do Bonfim. 

Em 2016 especificamente, há uma temática específica envolvendo a celebração aos gêmeos santos, por ser, como o próprio Papa Francisco declarou, o Ano da Misericórdia. “Fazer caridade, tal como faziam São Cosme e São Damião, é uma expressão máxima da misericórdia, a ponto de dar a vida em nome da fé, para não negar aquilo pelo qual eles acreditaram”, explicou o padre Josevaldo. 

Além desse contexto, os 75 anos da paróquia também é um motivo a mais de celebração, e, em 2016, o santuário passa por uma reforma, a fim de adaptação do espaço litúrgico para que as pessoas que o freqüentam possam se sentir mais acolhidas, confortáveis, evidenciando a mística no qual se envolve a fé nos Santos Mártires.    

Em uma das missas celebradas ontem, o bispo auxiliar de Arquidiocese de Salvador, dom Hélio Pereira dos Santos, falou sobre a trajetória dos gêmeos, explicando como eles conseguiam cuidar “do corpo e da alma” ao tratar seus pacientes. Ao final da liturgia, vários fiéis foram em direção ao altar formando uma grande fila para pedir à bênção aos padres, enquanto outros foram até a imagem dos santos para fazer fotos, ou simplesmente rezar de forma mais reservada. 

Foi o caso do administrador de empresa José Carlos de Jesus, que veio do Pero Vaz até a paróquia para uma manhã de agradecimento. “Sou devoto de Cosme e Damião desde que me entendo por gente. Eles são responsáveis por tudo que conquistei na vida, minha família, minha empresa, meus bens materiais. Sou muito grato”, explica o administrador, enquanto fazia um registro das imagens que representavam os irmãos santificados. 

Para o pároco do santuário dedicado a São Cosme e Damião, o padre Josevaldo Carvalho, o dia 27 de setembro é como um ápice de toda a celebração. “Nossa paróquia é como outra qualquer, ela tem as pastorais das crianças, do idoso, mas hoje, é um dia especial, pois temos a graça de ter dois padroeiros que caíram na graça do povo”, explicou. 

O pároco destaca que, entre tantos santos que são celebrados pela Igreja Católica, poucos conseguem motivar uma fé tão forte. “Creio que as pessoas se sentem apegadas porque o testemunho deles toca as necessidades mais essenciais das pessoas. O sofrimento, a pobreza, a miséria. Eles fizeram caridade, se dedicaram aos doentes, sem nada a cobrar, de modo que há uma identificação profunda com as pessoas”. 

HISTÓRICO
Cosme e Damião foram dois irmãos gêmeos que, segundo se crê nas religiões cristãs, foram médicos que, nascidos na região da Ásia Menor – onde hoje estão países como o Irã, Iraque, Azerbaijão, Armênia, Síria, e parte da Turquia – por volta de 300 d.C., exerceram a medicina sem cobrar por isso, devotados na fé. 

Por contribuir para aumentar o número de adeptos à fé cristã, os irmãos foram perseguidos pelo imperador romano Diocleciano, sendo presos, torturados, e finalmente executados no dia 27 de setembro, embora não se tenha certeza do ano (se deduz que isso aconteceu entre 287 e 300 d.C.). 

Os gêmeos também são celebrados pelas religiões de matriz africana, onde são associados aos ibejis, gêmeos amigos das crianças, que teriam a capacidade de agilizar qualquer pedido que lhes fosse feito, em troca de doces e guloseimas. 

Para celebrá-los, são realizados os “carurus de Cosme e Damião”, onde a dimensão da oferenda é medida pela quantidade de quiabos no ensopado. Nesta ocasião, também serve-se o caruru a sete meninos, de até sete anos, cada um, antes dos demais convidados.  


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