Medalhista olímpico confia em até dois pódios da vela em Tóquio

Duas vezes medalhista olímpico, o velejador Bruno Prada acredita que a vela brasileira deve subir ao pódio nos Jogos de Tóquio, no ano que vem, ao menos duas vezes. A maior aposta está na dupla Martine Grael e Kahena Kunze, ouro na Rio 2016 e bicampeã do evento-teste da vela para 2020, disputado em Enoshima, no Japão, na classe 49erFX. 

“Minha previsão não se baseia em torcida, mas em estatística, com base do que tem sido feito. Ficaria surpreso [se o Brasil] não trouxesse nenhuma medalha de Tóquio. A Kahena e a Martine estão em um ciclo incrível. Não acredito em mais que duas medalhas. Teria que acontecer algo fora do normal”, analisou Prada à Agência Brasil durante o L’Étape Brasil, evento de ciclismo amador realizado em Campos do Jordão (SP), do qual foi organizador.

“Temos chance de, ao menos, cinco regatas da medalha, que é como uma final do atletismo. Estamos falando de metade [das classes olímpicas]. É bastante”, completou.

Apesar do otimismo, Prada disse que o desempenho nos Jogos Pan-Americanos de Lima, no Peru, onde o Brasil encabeçou o quadro de medalhas (cinco ouros, duas pratas e dois bronzes), não deve servir de parâmetro.

“Nem todas as classes que estarão em Tóquio são Pan-Americanas. Isso já tira um pouco da euforia. O Pan não tem comparação com o circuito mundial”, alertou o velejador, que foi medalhista olímpico de prata em 2008 (Pequim) e de bronze em 2012 (Londres).

Vagas em aberto

Até o momento, o país tem sete classes asseguradas em Tóquio. Três delas (49erFX, Laser e Nacra 17) foram garantidas no Mundial de classes olímpicas do ano passado, em Aarhus, na Dinamarca. A vaga na classe Finn veio no Campeonato Europeu, na Grécia, enquanto as classificações da RS:X e da 470 feminina foram concretizadas nos Mundiais das respectivas categorias. Já o lugar da classe 49er foi confirmado com a medalha de ouro obtida no Pan de Lima.

Ter sido o responsável pela conquista da vaga não significa presença garantida em Tóquio para algumas classes. Na Laser, por exemplo, João Pedro Souto de Oliveira classificou o Brasil para os Jogos via Mundial de Aarhus, mas é o veterano Robert Scheidt, 46 anos, quem está elegível para a disputa. O bicampeão olímpico terminou o Mundial da categoria no top-18, linha de corte definida pela Confederação Brasileira de Vela (CBVela) para escolha do representante do país.

Outra classe em que o Mundial definirá o classificado para defender o Brasil em Tóquio é a Nacra 17, que hoje tem como dupla titular Samuel Albrecht e Gabriela Nicolino, bronze no Pan.

“Classificamos o Brasil [para a Olimpíada] com o quinto lugar na Dinamarca. Na vela, são 20 países, sendo que cada um só pode mandar uma tripulação. Tem outra equipe [João Bulhões e Isabel Swan] que está disputando conosco e nos enfrentaremos no Mundial [em novembro, na Nova Zelândia]. A dupla melhor classificada entre as brasileiras irá representar o país”, explicou Albrecht à Agência Brasil durante a Semana de Vela de Ilhabela (SP).

Tradição histórica

A vela é a segunda modalidade que mais rendeu medalhas ao Brasil em Olimpíadas: 18, superada apenas pelo judô (22). É, ainda, o esporte em que o país mais conquistou ouros (7). Desde 1968, quando Reinaldo Conrad e Burkhard Cordes levaram o bronze na classe Flying Dutchmann, em somente duas ocasiões (1972 e 1992) não houve brasileiro no pódio olímpico.

“A gente tem muito know-how, no iatismo, de como estruturar uma campanha olímpica. Temos um time mesclado de jovens talentos e caras mega experientes, como o Robert Scheidt, o que dá uma segurança para a molecada. Acredito que [em Tóquio] o Brasil continuará dando as mesmas alegrias de Olimpíadas anteriores”, encerrou Bruno Prada.

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