Lili Rodrigues: Os desafios da cultura

O Dia

– Marcelo Calero encara os desafios de ser o ministro da Cultura do governo Temer –

Rio – O personagem da coluna de hoje tem 34 anos e uma trajetória surpreendente. Desde cedo trabalha na política. É o quinto diplomata na família. Foi candidato a deputado e perdeu. Foi secretário de Cultura do Rio. E agora, encara um novo e importante desafio: o de ser ministro da Cultura do governo Temer.

LILI: O Sr. imaginava ser ministro?

MC: Honestamente, não. O reconhecimento de ser ministro é o que eu tenho de maior conquista na minha vida. Mas eu sempre lembro com muita humildade que tudo começou quando eu decidi ser diplomata. E teve um ponto importante que foi ter sido convidado pelo prefeito Eduardo Paes para fazer parte do time da Prefeitura do Rio.

O Sr. já tem uma previsão de investimento na Cultura?
Quando cheguei ao Ministério, o presidente Michel Temer aumentou em 40% o orçamento discricionário, que era de R$ 430 milhões. Para 2017, a proposta é de R$ 730 milhões.

Quanto o Rio receberá?
A missão do Ministério, nesta gestão, é manter o que já existe, é uma demanda da sociedade. Um dos carros-chefe é a reforma da Funarte, queremos um novo protagonismo. A Funarte precisa ser fomentadora de projetos que existem e de espetáculos com desenvolvimento estético das linguagens. O teatro, por exemplo… A Funarte precisa ter linhas sólidas e robustas que apoiem companhias que estejam começando. Temos discussões sobre a natureza jurídica da Funarte, sobre os funcionários da fundação, que estão absolutamente desmotivados. Há uma questão de recomposição salarial importante. No Iphan, estamos trabalhando para que tenha um orçamento condigno, principalmente em relação ao programa do PAC das Cidades Históricas, que reforma e faz melhoramentos em locais históricos pelo Brasil. Há obras paralisadas e várias no país que nem começaram. Vassouras, inclusive, nem começou…

Significa quanto, em dinheiro?
Em torno de R$ 500 milhões.

Qual é a contribuição que a CPI da Lei Rouanet pode dar?
Uma vez que a CPI foi aprovada e está em andamento, acreditamos que os parlamentares possam ajudar o Ministério no sentido de aprimorar a lei. Esse é um esforço capitaneado pelo Ministério e para o qual contamos com a contribuição da sociedade civil, dos outros ministérios e dos parlamentares. O foco das melhorias deve estar no aprimoramento da gestão e da fiscalização.

O passivo de processos de prestação de contas é um grande desafio. O que o Ministério está fazendo?
Quando chegamos ao MinC, encontramos um total de 20 mil processos de prestação de contas que precisam ser analisados. Destes, 14 mil são do passivo e outros seis mil são mais recentes. É um enorme desafio, ainda mais se considerarmos que uma boa parte do passivo é de processos em papel. Estamos avaliando uma forma de digitalizá-los e vamos trabalhar para não ter mais processos pendentes de análise. Com o cartão bancário do proponente, que estamos desenvolvendo em parceria com o Banco do Brasil, conseguiremos tornar a prestação de contas mais ágil e transparente. Tudo vai se concentrar numa única conta e não haverá necessidades de fazer transferências bancárias. Tudo sairá em tempo real no extrato do cartão. O cartão poderá ser usado a partir do ano que vem.

O Sr. fala com o presidente Temer no Whatsapp?
Com o presidente Michel Temer eu tenho uma regularidade de despacho e com o ministro Padilha, meu chefe direto.

Sua mãe diz que é um ótimo filho. E a relação com a família?
Boa, sou muito próximo da minha mãe, Teresa, da minha avó, do meu irmão Rafael. Eu tento, na minha rotina, toda semana, visitar a minha avó, Carmem, que tem 94 anos. E tenho também meus pais postiços, que são o Carlos Alberto Serpa e a Beth Serpa, e outros amigos com quem eu sempre tento manter essa rotina. 


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