Juliana Veloso se queixa da falta de apoio da CBDA

Marcia Vieira

– Maior nome dos saltos ornamentais do país criticou a confederação –

Rio – A Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) não tem deixado de lado somente troféus, como mostrou reportagem do Ataque no domingo. Mesmo tendo disputado cinco Olimpíadas e sendo há duas décadas o principal nome dos saltos ornamentais do Brasil, Juliana Veloso reclama que não recebe verba da CBDA há quase oito anos.

“O último dinheiro que recebi foi no fim de 2008, depois não recebi dinheiro nenhum da CBDA. O mais absurdo é que os Correios, patrocinador, começaram a pagar a atletas que nunca haviam pegado a seleção adulta. Eles chamavam na CBDA de futuros talentos. Toda a galera que foi para a Olimpíada do Rio recebeu dos Correios, menos eu. Não apareço nem na foto oficial da Seleção”, queixa-se Juliana Veloso, que, além de colecionar títulos brasileiros e sul-americanos, conquistou três medalhas nos Pan-Americano, de Santo Domingo, uma prata e um bronze, e mais um bronze no Rio-2007.

Foi justamente no Pan do Rio que ela entrou em rota de colisão com o presidente da CBDA, Coaracy Nunes. Após um nadador escorregar de um tapete e se machucar, ela foi a única a criticar o piso da plataforma de saltos do Complexo Maria Lenk.

“O Coaracy falou que eu já tinha dito muita besteira. Disse para fingir que estava bom. Eu me recusei e ele disse que me pagava. Então, falei para enfiar o dinheiro onde quisesse”, contou. Desde então, a relação se desgastou.

Em 2008, Juliana engravidou. O primeiro filho nasceu em 2009. Mesmo tendo engordado 32 quilos, ela voltou aos treinos no fim do ano e ainda ganhou o Brasileiro: “Eu estava gorda, minha técnica competia na China. Mas mesmo assim com quatro meses treinando praticamente sozinha fui campeã.”
Renovada com o título, ela voltou a falar com Coaracy.

“Após reconquistar o meu espaço, fui conversar com o Coaracy. Ele disse que eu estava velha e gorda e que iria investir em novos talentos”, lamentou. Apesar da falta de apoio, Juliana garantiu vaga em Londres- 2012 e nos Jogos do Rio-2016, sem ganhar medalha. Hoje, aos 35 anos, ela acredita que sua trajetória poderia ter sido melhor.

“Com recursos, poderia ter aprimorado minha técnica fora do país. Nas poucas vezes que fui, o patrocínio foi da academia da minha família. Se tivesse recursos próprios, teria ido muito mais”, garantiu.

CONFEDERAÇÃO CONTESTA A ATLETA

A assessoria de imprensa da CBDA desmentiu por e-mail a data do último pagamento a Juliana Veloso. “O último pagamento feito pela CBDA à saltadora foi no final de 2012, ano dos Jogos de Londres. Mas todo o planejamento feito pela treinadora de Juliana, Andréia Boehme, para a sua preparação no ciclo olímpico do Rio-2016, foi custeada 100% pela CBDA. O que foi pedido foi feito ou entregue. Infelizmente, nos Jogos, seu resultado foi o pior da equipe”, conclui a nota.

Questionado sobre a falta de apoio financeiro ao principal nome da modalidade do país, o técnico da seleção brasileira de saltos ornamentais, Ricardo Moreira, justificou.

“A CBDA não tem condições de custear todos. Dos nove atletas da seleção principal, apenas dois recebem. O critério técnico é definido por mim e pela diretoria. Mas, por meio do trabalho de gestão da CBDA, ela passou a receber da Marinha do Brasil. É difícil agradar a todos, mas poucos atletas no mundo têm o apoio que os brasileiros têm”, garantiu.


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