Internado, Gilberto Gil dá entrevista e segue compondo

Internado na última sexta-feira, 21, para dar continuidade ao tratamento de insuficiência renal a que vem se submetendo desde junho, o cantor e compositor Gilberto Gil tem estado de saúde dele é “estável”, segundo a assessoria do artista. O músico baiano permanecerá ao menos até hoje (terça-feira, 25) internado. Durante o tratamento, Gil compõe para a neta e a médica que o atende e vem, inclusive, dando entrevistas também.

Ainda na tarde da sexta-feira, 21, Gil foi fotografado enquanto embarcava no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, acompanhado de Flora e caminhando normalmente, sendo parado por um grupo de fãs que pediu autógrafos e fotos. Simpático, o artista parou para o registro e atendeu todos.  

Logo após a notícia da nova ida de Gil ao hospital ganhar o conhecimento do público, surgiu boato nas redes sociais de que ele teria morrido. A assessoria não soube dizer se Gil teve acesso a esses comentários, “mas Flora Gil (mulher e empresária do artista)), perdeu até uma viagem para Salvador por causa disso. Ela ficou chateada. Foi uma loucura, um absurdo”, comentou Gilda Mattoso, pessoa próxima à família e integrante da equipe de produção de Gil. 

Desde o começo do ano, Gil tem se internado mensalmente para fazer exames e dá continuidade ao tratamento contra a insuficiência renal. A primeira internação foi em fevereiro. Em maio, ele voltou ao hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Já a terceira internação foi em junho, para continuar o tratamento de insuficiência renal, assim como aconteceu em agosto, dias antes de ele ensaiar e se apresentar na abertura da Olimpíada Rio 2016.No final do mesmo mês, Gil retornou ao hospital após se sentir mal e cancelar uma apresentação que faria no Rio de Janeiro. 

A Tribuna ligou ontem para o hospital Sírio Libanês, que informou não ter autorização para divulgar nada sobre os seus pacientes.  Contudo, já é do conhecimento do artista e familiares que ele deve retornar mensalmente ao Sírio-Libanês para seguir com o tratamento.

Site
No sábado, 22, Gilberto Gil concedeu, no hospital, entrevista ao site Coração & Vida, oportunidade em que  falou sobre seu estado de saúde, política e revelou que fez uma música para sua médica, a cardiologista Roberta Saretta. Gil explicou que a canção surgiu “desse carinho que eu tenho por ela, pela equipe, por todos que estão cuidando de mim aqui.Como ela é a mais próxima e mais – como é que eu diria? – exigente no sentido da percepção, da diagnose, da recomendação médica, do acompanhamento”, relatou.

“Mas, na verdade, o que desencadeou a canção foi o fato de ela ter realmente solicitado que fossem extraídos quatro pedacinhos do meu coração, para uma biópsia. Achei que aquilo era muito poético, num certo sentido.

E aí resolvi fazer um poeminha. E, já que sou compositor, fiz uma musiquinha também”. Cantarolando, Gil apresentou um pequeno verso da mais nova canção: “Ela mandou arrancar/ Quatro pedacinhos do meu coração/ Depois mandou examinar os quatro pedacinhos/ Um para saber se eu tenho medo/ Um para saber seu eu tenho dor/ Um para saber os meus segredos/ Um para saber se eu tenho amor”. 

Cantor assume que é um paciente disciplinado

Durante a entrevista, Gil falou sobre os cuidados com a saúde: “Eu sempre cuidei [da saúde] das várias formas, eu sou filho de médico. Meu pai era médico, fui criado desde pequenininho dentro de um consultório”. Questionado sobre como consegue manter “seu espírito zen”, Gil afirmou: “Eu não sei. Na natureza humana, eu acho, todo mundo pode ter acesso a essa dimensão mais tranquila da existência. Ou seja, com essa capacidade de aceitação, das coisas do destino e tudo”, disse.

Na conversa de quatorze minutos e meio com a entrevistadora, disponibilizada no You Tube e já com cerca de oito mil acessos, Gil também diz “gostar dessa coisa de ser mais velho. É como Canô, a mãe do Caetano dizia, quem não morre envelhece (risos)”. Gil fala de períodos da vida, dos seus cuidados com a saúde de várias maneiras, inclusive passando pela alimentação macrobiótica. “Foi Sempre assim, uma coisa holística, um respeito muito grande pela medicina convencional, mas também pelas várias medicinas alternativas”. 

Gil diz ser um paciente disciplinado e gostar de discutir sobre o que é que se passa e o porquê de tal tratamento ou remédio. “Mas eu aceito as picadinhas, as injeções. O médico tem todo o direito de exigir do paciente aquilo que ele acha que é melhor para o paciente. Eu me dobro tranquilamente a este desígnio da profissão médica”. O compositor baiano revelou ter hoje restrição alimentar por conta da saúde. “Eu tenho que evitar excessos, de álcool, nunca tive consumo excessivo, mas, de todo modo, tenho que ser mais cuidadosa com todas essas coisas, com uma série de alimentos, a questão do controle do potássio, da ingestão de frutas e açucares de modo geral, tudo isto. O que facilita pra mim, esse tipo de exercício, é o fato que eu já venho de uma cultura de 40 anos  dedicação ao cuidado com a saúde e a alimentação. Na verdade as restrições não são tão absurdas”.

Quanto ao trabalho Gil declarou: “Refreei muito minha intensidade de trabalho, por causa de várias coisa, da idade, de uma certa satisfação já garantida, por te feito muita coisa, ter sido gratificado com reconhecimento público. Tudo isso foi fazendo com que eu trabalhasse cada vez menos. No ano de lançamento do Refazenda – álbum  lançado por Gil em 1975 – eu fiz 200 shows. Depois ainda foi muito intenso durante um período, mas aos poucos foi diminuindo e hoje já é muito menos e vai ser cada vez menos”.    

Quanto a experiência na política – Gil foi secretário de Cultura de Salvador, vereador da capital baiana e ministro da Cultura do governo Lula – ele disse ter sido “uma experiência passageira, um encantamento súbito que eu tive com a Perestroika que aconteceu na União Soviética. Aquilo me deu uma certa inspiração vontade. À época eu tinha ligações com gente que estava na política na Bahia, eu pedir a eles que achasse um lugarzinho pra mim fazer a experiência junto com eles”, concluiu.  


Outros destaques: