“Hoje é um dia triste para a história”, diz senador Lindbergh Farias

31 de agosto de 2016

Brasília - Senador Lindbergh Farias durante a defesa da presidenta afastada Dilma Rousseff em sessão de julgamento do impeachment, no Senado (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

 Lindbergh Farias Arquivo/Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Aliados de Dilma Rousseff, que teve seu mandato cassado hoje (31) pelo Senado Federal, lamentaram o resultado da votação. Por 61 a 20, os senadores decidiram pelo impeachment de Dilma Rousseff. Não houve abstenção. A posse de Michel Temer está marcada para as 16h no Senado.

O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) disse que considera um crime o afastamento de Dilma porque ela não cometeu crime de responsabilidade. “O dia de hoje é um dia trágico. É derrota. Afastar uma presidente por três decretos de créditos suplementares quando esse Congresso Nacional todo está acusado, num momento de grande desmoralização da política nacional. Hoje é um dia triste para a história. Não tenho dúvida em afirmar que no futuro vai ter uma outra sessão do Senado anulando esse crime que aconteceu hoje aqui”, afirmou.

Para o senador petista, a manutenção dos direitos políticos de Dilma é um sinal de que ela não cometeu crime de responsabilidade. “Acabaram absolvendo a presidenta em outro ponto, que é dos direitos políticos. Encaro a vitória que a presidenta teve na inabilitação porque tem muita gente com peso na consciência. Sabem que não houve crime de responsabilidade”.

Depois de aprovar a perda do mandato de Dilma Rousseff, o Senado também manteve, por 42 votos a 36, os direitos políticos de Dilma. Com isso, ela pode ocupar cargo público. Foram registradas três abstenções. A votação deste quesito foi feita separadamente a pedido de senadores do PT, que apresentaram o requerimento logo no início do dia e que foi acatado pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, mesmo sob protestos de aliados do presidente interino Michel Temer.

A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) também lamentou a cassação do mandato de Dilma. “Perdemos com um número de votos que nós não imaginávamos. Teve uma mudança de ontem para hoje de dois votos. É lamentável. Considero a questão da inabilitação irrelevante diante desse julgamento maior que foi a perda de mandato da presidenta Dilma. Porque tiram-lhe o mandato sem que ela tivesse cometido crime nenhum. Eles sabem disso. O Brasil sabe disso, o mundo sabe. Esse não foi um processo constitucional. Foi um processo em que prevaleceu única e exclusivamente o desejo dessa maioria circunstancial que eles formaram”, disse a senadora.

Para Vanessa, a oposição tem uma batalha já a partir de hoje que é enfrentar uma pauta negativa. “Porque se a Dilma enfrentou uma pauta bomba, hoje temos uma pauta negativa para os trabalhadores. É um trem passando por cima do direito dos trabalhadores. Vamos fazer uma oposição não ao Brasil, mas àquilo que eles querem transformar o país, num país que mais uma vez se dobra aos interesses dos grandes, ricos e poderosos em detrimento da grande maioria da população”, disse.

Uma das defensoras mais ferrenhas de Dilma, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) reafirmou que não há base constitucional para afastar a petista. “Eu lamento muito estar fazendo parte dessa história tão pífia do Parlamento brasileiro”.

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