Grupo paulista encena peça que aborda opressão à mulher

A Cia. Dionisíacas de Teatro apresenta, até o dia 31 deste mês, em  São Paulo, a peça Escuta-me, que aborda a opressão às mulheres e a violência de gênero. A montagem, que estreou nesta sexta-feira (8), Dia Internacional da Mulher, está em cartaz no Complexo Cultural Funarte.

Composto por quatro mulheres e um homem, o elenco sobe ao palco para representar um grupo de teatro que ensaia o espetáculo Casa de Bonecas, drama de três atos do dramaturgo norueguês Henrik Ibsen. A partir da obra de Ibsen, que questiona valores impostos às mulheres, e de trechos das peças Um Bonde Chamado Desejo, do norte-americano Tennessee Williams, e Hamlet, de William Shakespeare, o enredo vai expondo as manipulações e os abusos aos quais a protagonista é submetida pelo diretor do espetáculo, com quem mantém um relacionamento. 

Sandy Lee, que assina o texto, a direção e a produção executiva de Escuta-me, diz que o empoderamento das mulheres brasileiras já pode ser constatado, mas que posturas machistas ainda remanescem no país. “Apesar do empoderamento feminino, a gente ainda tem que lutar muito pela valorização da mulher, pelo respeito. Mesmo com tantas denúncias, com tantas leis, muitas continuam sofrendo violência, sendo agredidas, mortas”, afirma Sandy. 

Segundo Sandy, o cenário, constituído somente por um espelho, cadeiras e um baú com figurinos, também encontra seu lugar na trama. Ela explica que os poucos objetos transmitem a ideia de atemporalidade. “A gente não quis datar a peça, quis mostrar que, se nada for feito, a violência contra a mulher vai continuar acontecendo, em qualquer tempo”, diz a diretora. “Quisemos dar voz às vítimas, porque a gente está gritando e ninguém está ouvindo.”

Sandy Lee lembra que Ibsen chegou a editar o final de Casa de Bonecas, parte em que se narra a libertação de Nora Helmer, a protagonista, que opta por se separar do marido, Torvald Helmer. A censura ao dramaturgo ocorreu justamente porque a obra trata da emancipação feminina, aspecto que foi mal recebido por seus contemporâneos e que, segundo Sandy, ainda é um tabu, já que implica discutir também a violência em suas várias expressões, desde a moral e a psicológica até a física.

“Falar da ferida que está escondida, do que choca, ninguém quer. Hoje, por exemplo, já se fala, nas novelas, do movimento feminista, algumas já estão dando uma abertura maior. Mesmo assim, você percebe o pessoal muito reticente [ao falar da violência]”, conclui a diretora do espetáculo.

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