Gilberto Braga: Será que vale a pena recorrer ao banco?

O Dia

– Muitos já venderam as férias, pediram adiantamento da gratificação e até comprometeram a primeira parcela do 13º prevista para novembro –

Rio – Estamos há dois meses do Natal e nesta época tem muita gente enforcada esperando o 13º chegar para salvar a sua pátria. Ainda mais quando a economia está em crise e a inflação castigando os orçamentos, muitos acabam se endividando com dívida no cartão de crédito e cheque especial.

Muitos já venderam as férias, pediram adiantamento da gratificação e até comprometeram a primeira parcela do 13º prevista para novembro. Ou seja, dinheiro novo, quando aparecer, será só em dezembro, entre o dia 10 e o dia 20, isso se o patrão cumprir a lei.

Um leitor da coluna pergunta pelas redes sociais se vale a pena antecipar o 13º no banco. Primeiro, trata-se de operação de empréstimo garantida pelo recebimento do 13º, feita por ele no banco onde o crédito do empregador será feito. Assim a pessoa consegue taxa menor e antecipa o dinheiro para quitar as dívidas e regularizar a sua vida financeira.

Ou seja, é boa saída para quem paga juros entre 13% e 15% ao mês no especial e no cartão, já que a taxa do empréstimo com o 13% é inferior a 5% ao mês, podendo se aproximar do crédito consignado, que ronda a 3% ao mês.

Por outro lado, para quem não está enforcado, não vale a pena porque vai pagar juros para gastar o dinheiro em consumo ou para aplicar a taxa mensal menor na poupança, na renda fixa ou no Tesouro Direto. Para quem não deve na praça, só é recomendável a antecipação se já tiver destino definido para o dinheiro e quiser aproveitar promoção muito especial.

É o caso da troca do carro, da reforma ou compra da casa própria. O desconto obtido numa boa negociação pode justificar a antecipação, até porque as ofertas não costumam durar até meados de dezembro, quando todo muito está com o bolso recheado.

Mas os bancos nunca antecipam como empréstimo o valor total do 13º. Eles deixam margem para cobrar juros que são debitados automaticamente da conta, junto com o valor do principal da operação, em dezembro. O percentual financiado varia de 85% a 95% do total líquido a receber, dependendo do relacionamento que mantém com o banco.

Gilberto Braga é professor de Finanças do Ibmec e da Fundação Dom Cabral

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