Fórmula que deu certo

O Dia

– Pesquisa mostra que rodovias brasileiras privatizadas são mais bem avaliadas a aquelas sob gestão do governo –

Rio – Uma pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT) mostra que as rodovias brasileiras administradas por concessionárias são mais bem avaliadas do que aquelas sob gestão do governo, seja federal ou estadual. A Pesquisa CNT de Rodovias 2016 analisa toda a malha federal e estadual pavimentada do Brasil.

De acordo com o estudo, 78,7 % de rodovias concedidas dentro das que foram pesquisadas teve avaliação ótima ou boa. Há, ainda, um ranking que mostra que as 19 melhores rodovias do Brasil são administradas por concessionárias. Na hora de olhar para as vias mantidas sob gestão pública, a realidade é outra: 67,1% apresentam algum tipo de deficiência e estão classificados como regular, ruim ou péssimo.

Um total de 103.259 quilômetros de rodovias foram avaliados na pesquisa da CNT, dos quais 20.036 quilômetros, o equivalente a 19,4% da área total, foram trechos concedidos. A entidade considera que ‘a iniciativa privada é menos burocrática e mais eficiente, portanto, consegue definir a aplicação dos recursos de forma mais rápida’.

POUCO ASFALTO

A pesquisa aponta que a malha rodoviária pavimentada do Brasil é pequena, principalmente quando comparada com outros países de tamanho semelhante. No Brasil, são cerca de 25 quilômetros de rodovias pavimentadas para cada 1.000 quilômetros quadrados, o que corresponde a apenas 12,3% da extensão rodoviária nacional. Nos Estados Unidos, são 438,1 quilômetros por 1.000 quilômetros quadrados. Na China, 359,9 quilômetros e na Rússia, 54,3 quilômetros.

Para fazer o estudo, a CNT necessitou de 20 equipes de pesquisadores que trabalharam em 13 de capitais para a coleta das informações, avaliando toda a malha federal pavimentada e as principais rodovias estaduais. Foram levadas em consideração as condições do estado geral, do pavimento, da sinalização e da geometria. Também foram apontados os pontos críticos. Foram analisadas, ainda, as situações viárias por tipo de gestão (pública ou concedida), por estado e regiões geográficas, corredores rodoviários e por tipo de rodovias (federais ou estaduais).

Viva voz

O engenheiro Douglas Papera, especialista em veículos e estradas, vê uma grande diferença entre a malha brasileira e as rodovias de outros países. “Após visitar 50 países pelo mundo, posso dizer que apenas algumas poucas estradas brasileiras privatizadas se aproximam de estradas europeias, públicas ou privadas, no que diz respeito à qualidade do asfalto. Em relação à segurança, a distância ainda é maior, uma vez que ainda ocorrem acidentes em grande escala envolvendo pedestres e animais, por exemplo, que cruzam as pistas”, compara.

Papera ainda ressaltou que o Brasil não apresenta a melhor estrutura viária nem dentro da América Latina. “Estamos bem atrás do Chile”, analisa.


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